Um flagrante revoltante de maus-tratos e furto no Centro de Florianópolis chocou quem passava em frente à Câmara Municipal nesta quinta-feira (21). Um homem em situação de rua foi flagrado usando o próprio cachorro como suporte para enrolar fios elétricos enquanto revirava o lixo. As imagens e o relato foram divulgados pelo vereador Jeferson Backer, que presenciou a cena e acionou a Guarda Municipal.
Segundo o parlamentar, o homem revirava sacos de lixo enquanto o cão, de grande porte, estava com diversos fios amarrados e enrolados no pescoço, como se fosse um rolo de extensão. “Ele estava usando o cachorro como se fosse um carretel humano para facilitar o furto. Prendia os fios no pescoço do bicho pra deixar as mãos livres”, relatou.

Tentativa de diálogo e agressividade
Indignado com a situação, o vereador se aproximou para conversar com o homem de forma pacífica. “Falei com calma, pedi pra ele tirar os fios do pescoço do animal, disse que aquilo devia estar machucando. Mas fui recebido com hostilidade”, contou.
O homem teria reagido com frases agressivas: “Não tô nem aí pra ninguém, pode chamar quem quiser”, segundo o relato. “Tentei manter a calma, tirei foto da situação e acionei imediatamente a Guarda Municipal e a equipe de Ordem Pública”, disse o vereador.
Resgate e encaminhamentos
Minutos depois, agentes da Guarda Municipal Ambiental, Ordem Pública e da Assistência Social chegaram ao local. O cão foi resgatado e colocado em uma viatura da Ordem Pública para ser levado ao Dibea (Diretoria de Bem-Estar Animal), onde passará por avaliação veterinária.
O homem, por sua vez, foi encaminhado para a Passarela da Cidadania, onde será acompanhado por profissionais da assistência social. A equipe confirmou que o animal não apresentava ferimentos visíveis, mas estava visivelmente abatido e estressado.
Repercussão nas redes
O vídeo e o relato postados por Jeferson Backer geraram ampla repercussão nas redes sociais, com centenas de comentários de indignação. Protetores de animais e internautas cobraram medidas mais rígidas contra maus-tratos, inclusive para situações que envolvem moradores de rua.
“Muita gente usa a vulnerabilidade social como desculpa pra agredir animal. Isso não pode ser tolerado”, comentou uma seguidora.
Crime de maus-tratos
A conduta registrada pode configurar crime de maus-tratos previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), agravado pela Lei Sansão, que aumentou a pena para quem maltrata cães e gatos. A lei prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda de animais.
O vereador afirmou que vai acompanhar o caso e garantir que o cão receba os cuidados necessários. “Tem hora que o sangue sobe, mas a gente precisa agir com racionalidade. Acionei os órgãos competentes e, felizmente, conseguimos dar um fim digno para esse animal”, finalizou.



