O influenciador Julian Felipe Feitosa, preso em Balneário Camboriú com quase 200 kg de drogas, voltou ao centro de uma polêmica nesta semana após a defesa alegar que a Polícia Militar o algemou apenas para que sua imagem fosse divulgada pelo Jornal Razão. Em petição protocolada no processo, o advogado Samuel Silva afirma que a exposição do réu teria sido proposital e que a publicação do Jornal Razão teria influenciado diretamente a nova decisão judicial que decretou sua prisão preventiva.
A alegação foi feita de forma explícita em documento enviado ao juiz Lenoar Bendini Madalena, da Vara Regional de Garantias da Comarca de Balneário Camboriú. Segundo a defesa, o uso das algemas não se justificava, já que Julian teria se entregado espontaneamente, sem qualquer resistência. No entanto, ainda assim, os policiais o teriam algemado na frente da família — incluindo sua filha, sobrinha e pais — com o suposto objetivo de registrar fotos e vídeos para divulgação na imprensa.
“Assim que colocou o pé pra fora de sua residência, como visto, foi ALGEMADO PARA A IMPRENSA, COMO PODE SER VISTO NA FOTO RETIRADA IMEDIATAMENTE DA REPORTAGEM DO JORNAL RAZÃO”, escreveu o advogado em letras maiúsculas.
Juiz perde a paciência durante audiência de custódia
O documento foi protocolado após a nova audiência de custódia, realizada nesta quinta-feira (21), quando Julian voltou a ser ouvido pela Justiça. A sessão foi marcada por momentos de tensão e desconforto, com o juiz demonstrando irritação com as respostas confusas do investigado.
Julian aparentava dificuldade em compreender as perguntas e se enrolou ao explicar as datas das duas prisões que sofreu na mesma semana. Em certo momento, o magistrado teve que interrompê-lo.
Questionado se havia sofrido agressões, Julian inicialmente disse que sim, e afirmou que foi filmado e fotografado pela Polícia Militar, tanto na residência quanto na chegada ao presídio.
“Começaram a tirar fotos minhas e fazer vídeos… na frente da minha filha, da minha mãe, do meu pai…”, relatou o influenciador.
Defesa acusa “uso midiático” da prisão e cita Jornal Razão como influência no Judiciário
A defesa foi além das acusações de exposição e alegou que a publicação das imagens teve como objetivo provocar repercussão pública e pressionar o Judiciário. Em outro trecho do documento, o advogado afirma que a imprensa teria exercido “forte influência no Poder Judiciário”, mencionando diretamente o Jornal Razão como veículo que teria impactado a decisão de revogar a liberdade concedida anteriormente ao investigado.
“O vídeo em anexo que demonstra que o uso, emprego de algemas foi feito pela PM para deleite da imprensa sensacionalista que até aqui exerceu forte influência no Poder Judiciário […]”, diz a petição.
O advogado também critica o que chama de “excesso de linguagem” nas decisões anteriores e afirma que a audiência de custódia não deveria ser usada para “entrar no mérito do processo”.
Suposto vazamento de informações e pedido de intervenção do CNJ
Outro ponto levantado pela defesa foi a alegação de que o processo teve acesso indevido por mais de 80 pessoas, o que, segundo o advogado, comprometeria a lisura do procedimento judicial. O texto pede que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) supervise o caso, alegando “contaminação dos autos” e sugerindo investigação sobre quem acessou os documentos.
“A nulidade e contaminação do procedimento judicial devem ser supervisionadas pelo CNJ, visto que a senha de liberação de acesso é possível verificar os responsáveis”, afirma a peça.
Prisão mantida por decisão do juiz titular
Apesar das acusações e pedidos de relaxamento da prisão, Julian segue preso preventivamente. A nova decisão foi tomada de ofício pelo juiz titular, Lenoar Bendini Madalena, com base no artigo 316 do Código de Processo Penal. O magistrado avaliou que a liberdade concedida anteriormente por outro juiz, na audiência de custódia, estava em desacordo com os fatos e as provas colhidas até então.
Segundo a nova decisão, há indícios de que Julian participava de um esquema organizado de tráfico de drogas, atuando como guardião de uma carga avaliada em mais de R$ 10 milhões. O juiz também descartou a possibilidade de aplicação do tráfico privilegiado, apontando a habitualidade e sofisticação da conduta.
“Não é qualquer traficante que possui tamanha quantidade de entorpecentes. Todos os pormenores levam a crer que o crime aqui descoberto é daqueles de grandes proporções”, escreveu o juiz.
Contraste com a vida de ostentação nas redes
Julian Felipe Feitosa e sua esposa, Isabella Poli, ostentavam nas redes sociais uma vida de luxo, sucesso financeiro e faturamento milionário com vendas online. Em uma das postagens, Isabella exibia um troféu com a inscrição “R$ 5 milhões em vendas”. No entanto, em depoimento prestado à polícia, ela revelou que o marido aceitou guardar a droga por apenas R$ 2 mil para pagar o aluguel.
Ela também afirmou que essa não foi a primeira vez que ele teria feito isso, o que reforçou os argumentos do juiz para negar qualquer benefício ao investigado.
Nota da Redação
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Em relação às alegações apresentadas pela defesa do influenciador Julian Felipe Feitosa, que sugere que nossa cobertura teria influenciado decisões judiciais, esclarecemos que todo o conteúdo publicado está respaldado por registros públicos e materiais oriundos de órgãos oficiais, como boletins de ocorrência, vídeos de audiências e depoimentos prestados à autoridade policial.
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