O caso da jovem Eduarda Pires Domingos, de 24 anos, natural de Imbituba, em Santa Catarina, tomou proporção nacional após denúncias graves contra o namorado, André Luiz Salvador, de 27 anos. Ela o acusou de cárcere privado, agressões físicas, extorsão e ameaças. No entanto, dias depois, voltou a morar com ele, gravou um vídeo de retratação e gerou uma onda de comoção e revolta nas redes sociais.
O que parecia um desfecho de justiça e acolhimento à vítima, virou um impasse público com versões conflitantes e novos boletins de ocorrência — inclusive contra a própria família da jovem.

Primeira denúncia: 30 dias em cárcere, agressões e ameaças
A primeira denúncia ocorreu em 7 de junho. Eduarda afirmou que ficou aproximadamente 30 dias trancada na casa de André, sendo impedida de sair, conversar com familiares ou acessar redes sociais. O boletim de ocorrência aponta lesões visíveis no corpo da vítima, que foi resgatada pelo irmão e um tio, e levada para o hospital São Camilo.
Conforme registrado, ela também foi dopada e teve suas senhas bancárias usadas de forma indevida, resultando em perdas financeiras, conforme novo boletim de extorsão lavrado no dia 10.
A repercussão foi imediata. O irmão da vítima, que mora em Portugal, publicou vídeos mostrando o estado físico de Eduarda, acusando o companheiro de tentativa de feminicídio. Influenciadores, advogados e internautas começaram uma campanha online para cobrar ações das autoridades.

Retorno inesperado: “Foi decisão minha, ninguém me forçou”
A virada no caso ocorreu logo depois. Um novo vídeo de Eduarda foi divulgado por um perfil supostamente dela no Instagram, onde ela aparece ao lado de André, afirmando que voltou por vontade própria.
“Sim, ele me agrediu, mas foi por causa de uma suposta traição. Eu procurei ele. Peço desculpas a todas as mulheres que me apoiaram, mas foi o sentimento que falou mais alto”, disse a jovem. Ela ainda afirma que, após o episódio, foi mantida trancada em casa pela família e precisou pular o muro para fugir, caminhando 10 quilômetros até reencontrar o namorado.
Segundo ela, “nenhum momento ele me forçou a nada” e os vídeos publicados pelo irmão teriam sido feitos sem autorização.
Defesa de André: “Se eu fosse tudo isso, ela não teria voltado”
Em um vídeo divulgado nas redes, André também se pronunciou. “Eu nunca obriguei a Duda a nada. Ela me procurou. Se eu fosse tudo o que disseram, ela não voltaria, não pediria para recomeçar”, disse. Ele confirmou a agressão, justificando que ocorreu após uma suposta traição dela.
André nega as acusações de cárcere, ameaça com arma e dopagem. “Ela ficou na casa dela por alguns dias, mas foi impedida de sair. Chegou a registrar um boletim contra a mãe, que teria a trancado no quarto”, contou.
Uma enxurrada de comentários lamentou a volta da jovem para o agressor, apontando manipulação emocional e possível coação. “Ela está sendo ameaçada, claramente. Está tentando proteger a família”, comentou uma seguidora. Outros alegam que Eduarda já teria gravado vídeos em outros momentos sob pressão.
Influenciadores próximos afirmaram que ela chegou a gravar vídeos forçada e que, mesmo tendo solicitado que não fossem publicados, os familiares divulgaram por medo de que ela fosse morta.
A postagem do irmão reforçou essa versão: “Minha irmã foi vítima de tentativa de feminicídio. Enquanto o agressor está livre, ela grava vídeos dizendo que mereceu. Isso não é escolha, é medo”.
Polícia acompanha o caso
Apesar das denúncias, o nome de André Luiz Salvador não consta como foragido no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), conforme consulta feita em 14 de junho. Segundo fontes ligadas à segurança pública, o caso segue em investigação, com base nos boletins registrados e na repercussão do crime.
Fontes indicam ainda que há registro de boletim de ocorrência contra a própria mãe da vítima, acusada de impedir sua saída de casa. A jovem relatou que teve que fugir da residência após ser trancada no quarto.
Caso segue sem desfecho judicial
Até o momento, não há mandado de prisão expedido nem audiência marcada. A Polícia Civil de Imbituba investiga os fatos com base em múltiplos boletins — tanto das agressões quanto da suposta coação familiar.