Uma ocorrência registrada na madrugada deste sábado em um posto de combustíveis no município de Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, escancarou, mais uma vez, a tentativa de intimidação e interferência em uma ação legítima da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC).
Durante rondas de rotina, a guarnição recebeu informações sobre a prática de tráfico de drogas no local. Dois homens foram abordados e, com um deles, os policiais localizaram comprimidos de ecstasy. Diante do material apreendido, foi lavrado termo circunstanciado.
Enquanto o procedimento ainda estava em andamento, um casal passou a interferir diretamente na abordagem, elevando o tom de voz, proferindo ofensas e tentando constranger os policiais militares.
Após finalizarem a abordagem aos suspeitos de tráfico, os policiais militares deram voz de abordagem ao casal que interferia na ação.
O rapaz se recusou a virar de costas, gritou repetidas vezes que “é homem” e que “não tem medo de polícia”, chegando a invocar uma suposta ligação pessoal ao questionar os agentes com a frase “tu sabe quem é minha madrinha?”, numa clara tentativa de intimidação.
A situação se agravou quando o casal desobedeceu ordens legais, resistiu à abordagem e passou a confrontar a guarnição, exigindo intervenção imediata para controle do contato. Diante da resistência e do risco à segurança, os policiais realizaram a contenção conforme os protocolos operacionais.
Todos os envolvidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde os procedimentos cabíveis foram adotados. Após assinarem termo de compromisso, eles foram liberados.
A Polícia Militar de Santa Catarina informou que a ocorrência será analisada internamente, como prevê o regulamento, reforçando que a atuação teve como objetivo garantir a ordem, a segurança do local e a legalidade da ação policial.
Em conversa com o Jornal Razão, o homem envolvido se recusou a apresentar qualquer versão objetiva dos fatos. Questionado repetidas vezes sobre o motivo da abordagem e o contexto da ocorrência, limitou-se a afirmar que “foi abordado e agredido”, sem explicar sua conduta anterior, sem esclarecer a interferência na ação policial e sem responder sobre a tentativa de intimidação mencionada por testemunhas e registrada no atendimento.
Ele também não comentou o fato de que o suspeito de tráfico abordado no local seria seu “amigo de infância”, conforme ele próprio revelou durante a abordagem.
O histórico individual dos envolvidos mostra que não se trata de pessoas alheias a conflitos com a lei. O jovem acumula passagens por crimes como lesão corporal, ameaça, desobediência, direção perigosa e posse de drogas para consumo pessoal, com registros em diferentes anos, desde a adolescência até após atingir a maioridade.
Já a mulher também possui antecedentes por ameaça, lesão corporal, dano, furto e outros episódios que revelam envolvimento recorrente em situações de confronto e violência, conforme registros policiais anteriores. Um dos crimes em seu histórico é de coação no curso de processo. Ela também foi alvo de mandado de busca e apreensão em 2023. Em 2022, foi indicada pelo crime de furto.
O conjunto dos fatos aponta para um cenário conhecido pelas forças de segurança: interferência deliberada em ação policial, resistência, tentativa de intimidação e posterior vitimização pública, estratégia que contrasta com o histórico e com a dinâmica observada no local.
“Abordagem não se negocia, não se intimida e não se interrompe. A lei é igual para todos.”
Polícia Militar de Santa Catarina