O Jornal Razão apurou com exclusividade que os pais do menino de 6 anos, resgatado pela Guarda Municipal em uma casa insalubre no bairro Morretes, foram liberados em audiência de custódia, realizada após o flagrante por maus-tratos e uso de drogas.
Na noite de terça-feira (4), as equipes da ROMU e do Canil da Guarda Municipal foram acionadas após uma denúncia de invasão de imóvel. O local, segundo o denunciante, pertencia à mãe dele — uma idosa portadora de esquizofrenia — e estava sendo ocupado indevidamente por um casal.
Quando os agentes chegaram, encontraram uma cena de degradação: lixo por todos os lados, utensílios queimados, restos de drogas e um cheiro forte que denunciava o uso recente de entorpecentes.
No meio daquele cenário, estava um menino de apenas seis anos, descalço, com roupas sujas e visivelmente assustado. Ao ser retirado do ambiente, ele disse algo que paralisou os guardas: “Só quero que eles parem de usar drogas.”
Durante a abordagem, o homem identificado como J. A. G. tentou se desfazer de um cachimbo usado para consumo de crack, jogando o objeto pelo ralo. A mulher, V. S. M., também estava no local. Após buscas, foram apreendidos materiais usados para o preparo e consumo de entorpecentes, além de pequenas quantidades de cocaína e crack. O casal confessou o uso de drogas momentos antes da chegada da guarnição.
O Conselho Tutelar, representado por Emir Soares Freitas, acompanhou a ocorrência e confirmou a situação de maus-tratos. O relatório policial aponta ainda que a criança não frequentava a escola e não tinha documentos sob posse dos pais.
Após o flagrante, ambos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil e permaneceram detidos até a realização da audiência de custódia, onde, segundo informações obtidas pelo Jornal Razão, receberam liberdade provisória.
O menino está sob tutela do Conselho Tutelar, em local seguro e protegido. Por se tratar de um caso envolvendo menor de idade, o processo tramita sob segredo de justiça, o que impede a divulgação de novos detalhes.
A Guarda Municipal de Itapema reforça que denúncias de maus-tratos e abandono infantil podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais, como o Disque 100, e que a ação rápida da comunidade foi essencial para salvar a vida do menino.