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em Segurança

“Macaca do demônio”: mulher é presa após acusar e atacar trabalhadora venezuelana em Santa Catarina

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 11/04/2026 17h17 | Atualizado há 33 dias
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Uma mulher de 40 anos foi presa em flagrante após proferir ofensas racistas e xenofóbicas contra uma funcionária venezuelana de 21 anos em uma loja de assistência técnica de celulares no bairro São Martinho, em Tubarão. Câmeras de segurança registraram toda a cena.

Uma mulher de 40 anos foi presa em flagrante por injúria racial na manhã da última terça-feira (7), após atacar com ofensas racistas e xenofóbicas uma funcionária venezuelana de 21 anos dentro de uma loja de assistência técnica de celulares no bairro São Martinho, em Tubarão, no Sul de Santa Catarina.

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Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento em que a cliente entrou alterada na loja, arremessou objetos contra a atendente, jogou a comida e a mochila da funcionária e proferiu xingamentos de cunho racista e xenofóbico. Conforme relato da vítima, a mulher a chamou de “macaca do demônio” e “venezuelana morta de fome”.

Polícia Militar flagra ofensas em câmeras e prende suspeita

Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a ocorrência começou após uma ligação ao 190 informando um desacordo comercial e ameaças contra funcionários do local. Ao chegar ao estabelecimento, a guarnição teve acesso ao sistema de monitoramento interno, que registrou tanto as imagens quanto o áudio dos xingamentos.

Diante das provas, os policiais deram voz de prisão em flagrante à suspeita, que foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Tubarão para os procedimentos legais.

Discussão começou por conserto de celular de R$ 290

A funcionária, identificada como Adriannys Del Valle Abreu Ruiz, está no Brasil há pouco mais de cinco anos. Segundo ela, o problema começou no dia 26 de março, quando a cliente levou o celular para trocar a tela. O conserto foi autorizado pelo valor de R$ 290, mas, ao retornar no dia seguinte, a mulher disse que não teria como pagar e tentou oferecer dois aparelhos quebrados como garantia.

“A gente não aceitou porque não trabalha com isso. Já tinha sido acordado o valor do celular”, contou a vítima.

A cliente se comprometeu a buscar o aparelho no sábado seguinte, mas não compareceu. Segundo a funcionária, a mulher não apareceu no sábado, nem na segunda, terça ou quarta-feira. Apenas na quinta, à tarde, disse que podia fazer a retirada, mas o horário já não permitia que o celular fosse transportado da assistência técnica no centro até a loja no bairro São Martinho.

Vítima relata agressão e desabafa

Um novo acordo foi feito para a segunda-feira (7). No entanto, por conta da chuva, o motoboy não conseguiu entregar o aparelho a tempo. Foi quando a cliente chegou alterada ao estabelecimento.

“Estava atendendo outra cliente. A senhora ficou muito nervosa, arrebentou a porta, jogou objetos em cima de mim, jogou minha comida, minha mochila”, relatou a atendente. “Eu saí da loja pra me acalmar no banheiro. Quando voltei, chamei minha gerente pra ligar pra polícia.”

A agressão aconteceu na frente de outros clientes e de crianças que acompanhavam a suspeita. A vítima descreveu o impacto emocional do episódio.

“Eu comecei a chorar muito porque era muito frustrante ter uma pessoa falando essas coisas no teu ouvido e tu não conseguir fazer nada. Ninguém fala nada pra ela não se alterar mais”

A funcionária contou que não conseguiu assistir ao vídeo completo das agressões por vergonha e disse que sua rotina já mudou. “A minha vida já tá mudando, já não consigo nem trabalhar aqui mais”, desabafou.

Vereador presta apoio à vítima

Após a repercussão do caso nas redes sociais, o vereador Matheus Madeira (PT) informou que está prestando apoio à vítima, incluindo orientação jurídica e suporte da Assistência Social do município.

Suspeita pode pegar até 5 anos de prisão

A suspeita foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Tubarão e o procedimento foi remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Conforme a Polícia Civil, não há outras diligências a serem realizadas no caso.

A mulher já passou por audiência de custódia e está à disposição da Justiça para os demais procedimentos. Ela deve responder pelos crimes de racismo e xenofobia, que desde 2023 são equiparados pela Lei 14.532, sendo inafiançáveis e imprescritíveis, com pena que pode variar de 2 a 5 anos de prisão, além de multa.

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