A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) foi chamada na noite de sábado (25) para atender uma ocorrência de perturbação do sossego no bairro Jardim Cidade, em São José, na Grande Florianópolis. Moradores da Rua Maria Júlia da Luz ligaram para o 190 relatando barulho alto vindo de um terreiro de umbanda onde acontecia uma cerimônia religiosa.
Segundo a PM, os policiais chegaram ao local e não tinham intenção de encerrar a celebração, apenas de pedir que o volume do som fosse reduzido.
A corporação afirmou que a abordagem foi pacífica, sem uso de armas, e que os militares tentaram conversar com os responsáveis pelo local antes de tomar qualquer medida.
Ainda conforme o relato oficial, os moradores disseram que o problema acontece com frequência e que pessoas idosas, acamadas e famílias da vizinhança não conseguem dormir por causa do som alto. Diante da resistência dos participantes em abaixar o volume, os policiais registraram o caso como “perturbação do sossego” e seguiram os procedimentos previstos na lei.
O terreiro, que pertence a Mãe Letícia da Silva, conhecida na comunidade religiosa, acusou a PMSC de agir com truculência e de invadir o espaço sem mandado judicial. A líder afirmou nas redes sociais que se sentiu agredida e humilhada. Grupos ligados a religiões de matriz africana classificaram o episódio como racismo religioso e cobraram providências do Ministério Público e da Secretaria de Direitos Humanos.
Por outro lado, a PMSC negou qualquer tipo de abuso ou preconceito e reforçou que a ação foi motivada unicamente por denúncias de perturbação do sossego. A corporação destacou que atua igualmente em festas, bares, igrejas e outros locais sempre que há descumprimento das regras de som e de convivência em áreas residenciais.
Em nota, o comando da PM afirmou que “a liberdade religiosa é um direito garantido pela Constituição, mas precisa coexistir com o direito de vizinhança e com o respeito ao descanso alheio”. O caso será encaminhado ao Ministério Público, que deve ouvir as duas partes.