Uma ocorrência registrada na Polícia Civil expôs uma situação grave envolvendo uma aluna com síndrome de Down em uma escola municipal de Tijucas, na Grande Florianópolis. O caso foi formalizado por meio de boletim de ocorrência após a mãe da criança relatar que a filha teria sido agredida por uma professora responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE).
De acordo com o documento ao qual o Jornal Razão obteve acesso, o fato teria ocorrido no interior da Escola Ondina Maria Dias, localizada na Avenida Bayer Filho, no Centro de Tijucas. A vítima, uma menina de 12 anos, estudante da unidade, possui necessidades especiais.
Segundo o relato registrado no boletim, a mãe contou à polícia que foi informada pela própria filha de que a professora responsável pelo AEE teria batido em sua mão e discutido com ela durante o período escolar. Posteriormente, ainda conforme o registro, uma colega da estudante teria confirmado à família que presenciou o momento da agressão.
A mãe também relatou que há câmeras de monitoramento na entrada da sala de aula, que podem ajudar na verificação do ocorrido.
Apesar da denúncia, a própria mãe fez questão de destacar que não culpa a escola. Em mensagem encaminhada ao Jornal Razão, ela afirmou que a unidade sempre ofereceu suporte e que reconhece o trabalho realizado pela instituição.
“Eu vim aqui contar o que aconteceu com a minha filha, que é uma criança com necessidades especiais. Foi feito boletim de ocorrência, procurei a escola e o Conselho Tutelar e tomei as providências. A escola me deu todo o suporte que eu precisei e sempre tem me apoiado.”
Em outro trecho da mensagem, a mãe reforça que sua indignação é direcionada exclusivamente à conduta da professora.
“O que aconteceu foi que essa professora em específico bateu na mão da minha filha. Depois colocou gelo e molhou para não ficar marca. Eu só queria que ficasse claro que a escola sempre me ajudou muito, mas fiquei inconformada com essa situação.”
A profissional citada no boletim é professora concursada e possui formação em educação especial, justamente para atuar com alunos com necessidades específicas. Ela também atua em uma unidade da APAE no Vale do Rio Tijucas.
Após tomar conhecimento da situação, a Secretaria Municipal de Educação de Tijucas determinou o afastamento imediato da professora. Por ser servidora efetiva, eventuais punições precisam seguir os trâmites administrativos previstos.
Segundo a secretária de Educação, Sheila Dias, a reação atribuída à profissional é incompatível com a função exercida. Na avaliação dela, uma profissional capacitada para atuar na educação especial jamais poderia reagir com agressividade contra uma criança.
O prefeito de Tijucas, Maickon Sgrott, também se manifestou ao Jornal Razão sobre o caso. Ele destacou que a situação não representa o perfil da educação do município.
De acordo com Maickon, a rede municipal tem investido continuamente na qualificação dos profissionais e na ampliação das políticas de inclusão. O prefeito citou como exemplo a recente inauguração da Casa do Autista, considerada um marco no atendimento a crianças com necessidades especiais na cidade.
A prefeitura informou que o caso será apurado administrativamente para esclarecer os fatos e adotar as medidas cabíveis.
Enquanto isso, o registro policial permanece como base inicial da apuração, que poderá contar com relatos de testemunhas e eventuais imagens de câmeras de monitoramento para confirmar o que realmente aconteceu dentro da escola.


