A concentração que começou no varandão do CCE seguiu em direção ao ponto central de toda a dor que mobilizou Florianópolis: a trilha do Matadeiro, onde Catarina Kasten, 31 anos, estudante, pesquisadora da UFSC e moradora do Sul da Ilha, foi encontrada morta na sexta feira. Catarina era conhecida pela rotina de natação no mar e pela relação forte com a natureza da Armação, percurso que fazia quase todos os dias antes de ir para a aula. Ela saiu de casa às 6h e não chegou ao destino. Horas depois, turistas localizaram o corpo em meio à mata, com indícios de violência física e sexual. O suspeito do crime confessou o ataque e foi preso pela PMSC ainda na tarde do mesmo dia.
Durante o ato deste sábado, depois das falas e homenagens no varandão do CCE, centenas de estudantes, familiares, professores, amigos e moradores do Sul da Ilha foram até a trilha. O percurso foi silencioso, marcado por cartazes, flores e fotos da jovem. O cortejo ocupou grande parte da via e ganhou novos participantes a cada quarteirão.
Ao chegar ao local onde Catarina foi vista pela última vez, o clima se intensificou. Velas foram acesas, flores foram deixadas no chão e familiares receberam apoio de desconhecidos que acompanharam toda a investigação desde as primeiras horas. Moradores lembraram que a trilha é usada diariamente por jovens e trabalhadores e pediram reforço urgente na segurança da região.
A ida até o ponto do crime encerrou o ato, mas não a mobilização. Estudantes anunciaram que novas ações serão organizadas nos próximos dias. Para muitos, caminhar até ali foi uma forma de honrar Catarina e marcar, de maneira coletiva, que sua memória não será esquecida.