A Polícia Civil do Espírito Santo cumpriu mandado de busca e apreensão no endereço onde reside o advogado Lucas de Assis Santos Dalbem Fasolo Buch, em Florianópolis (SC). A diligência também ocorreu em Vitória, no Espírito Santo. O Jornal Razão apurou com exclusividade que o imóvel alvo da operação em Santa Catarina é o mesmo onde o advogado vive atualmente com seu marido, o desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
A operação foi realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo, por meio da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações, com apoio da Delegacia de Crimes de Estelionato de Florianópolis. A medida foi autorizada pela Justiça após representação do Ministério Público do Espírito Santo.
Segundo a decisão judicial, a investigação teve início depois que um estrangeiro, residente fora do Brasil, procurou as autoridades relatando ter sido vítima, em tese, de estelionato e apropriação indevida. O prejuízo estimado, conforme os autos, gira em torno de R$ 3,5 milhões. O documento menciona que a vítima seria idosa e vulnerável.
“A medida de busca e apreensão, anteriormente deferida por este Juízo, tem por escopo a colheita de elementos probatórios indispensáveis à elucidação da materialidade e autoria dos vultosos desvios patrimoniais noticiados, estimados em aproximadamente R$ 3,5 milhões, envolvendo vítima idosa e vulnerável”, detalha o despacho.

O mandado autorizou a busca por bens, objetos, documentos e dispositivos eletrônicos que possam demonstrar a prática dos supostos crimes. Entre os itens listados estão computadores, notebooks, HDs externos, pen drives e smartphones. Durante o cumprimento da ordem judicial, o aparelho celular do investigado foi apreendido. Nenhum dos objetos que, segundo a investigação, pertenceriam à vítima foi localizado nas residências.
A decisão também autorizou o acesso a dados armazenados em equipamentos eletrônicos eventualmente encontrados, sob o entendimento de que, no caso concreto, o interesse público na apuração dos fatos deveria prevalecer. Por se tratar de advogado regularmente inscrito na OAB, o cumprimento da diligência contou com acompanhamento de representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem, conforme determina a legislação.
O novo episódio se soma a outras revelações já publicadas pelo Jornal Razão. Meses antes, o JR havia divulgado que o advogado respondia a processos disciplinares na OAB do Espírito Santo, após denúncias de estrangeiros que alegaram cobranças indevidas em supostos processos de naturalização. Documentos oficiais indicam que o pedido de naturalização brasileira não exige pagamento de taxas públicas, ponto central das representações.
Na ocasião, o Jornal Razão tentou contato com o advogado e com o desembargador João Marcos Buch. Nenhum dos dois se manifestou até o fechamento da reportagem. Dias depois, o desembargador publicou em seu perfil nas redes sociais uma mensagem crítica ao veículo, afirmando que se tratava de um portal que se autointitulava jornal e informando que havia registrado boletim de ocorrência.
“Um canal que se autointitula jornal divulgou uma matéria distorcida e mal-intencionada sobre meu marido, que não procede e que sequer vale a pena replicar aqui. Trata-se, de forma inequívoca, de mais um episódio de uma campanha rasteira, que instrumentaliza uma pessoa que me importa na tentativa de me atingir, em razão do que represento e do que representamos para tantas pessoas que lutam por reconhecimento, dignidade e justiça. Um boletim de ocorrência já foi registrado. Em 2026, estaremos mais juntos e mais fortes”, escreveu o desembargador na publicação do dia 5 de janeiro.
Agora, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados judicialmente em uma nova e mais grave denúncia, o caso ganha novo capítulo. A investigação tramita sob sigilo. Até o momento, não há denúncia criminal formalizada nem condenação. O advogado segue sendo investigado e tem garantidos o direito à ampla defesa e ao contraditório.