O gastroenterologista Marcelo Marques Costa, de Camboriú, disparou ao menos quatro vezes contra policiais militares do Tático do 12º Batalhão de Polícia Militar para tentar evitar a própria prisão na manhã desta segunda-feira (5). O médico é investigado por forjar atestados médicos que tiravam criminosos da cadeia em Itajaí.
A guarnição do Tático cumpria mandado de prisão e de busca e apreensão em apoio ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina, na Rua Martinho Pedro da Silva, no bairro Cedros, em Camboriú. Ao acessar a área externa da residência, os policiais encontraram a porta trancada e precisaram abri-la mediante força, identificando-se como Polícia Militar.
Os disparos
Assim que a porta foi aberta, o médico já estava na sala e surpreendeu a guarnição com aproximadamente quatro disparos de pistola Taurus calibre .380 contra os policiais. Um dos tiros atingiu um policial militar na perna esquerda. O PM recebeu atendimento imediato do Corpo de Bombeiros, que já estava presente na operação, e foi encaminhado ao hospital em estado estável.
Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, um dos policiais revidou com um disparo. Na sequência, a guarnição adentrou o imóvel e encontrou Marcelo Marques Costa já desarmado, na presença de familiares.
Arsenal apreendido
Durante as buscas na residência, foram apreendidas três armas de fogo e dezenas de munições:
- Uma pistola Taurus 838 calibre .380 com 38 munições intactas
- Um revólver calibre .38 com 6 munições intactas
- Uma espingarda calibre 12 Boito Pump com 11 munições de diversos tipos
- Uma munição calibre .40
Outros objetos relacionados à investigação do GAECO também foram recolhidos no local.
O esquema dos atestados falsos
A Operação Efeito Colateral, deflagrada pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, investiga um esquema estruturado no qual o médico emitia atestados ideologicamente falsos, simulando doenças graves e inexistentes, para fundamentar pedidos de prisão domiciliar em favor de detentos do Complexo Penitenciário de Itajaí.
Conforme o MPSC, o gastroenterologista atuava em conluio com uma advogada para que os laudos fraudulentos fossem usados em processos judiciais. Com os documentos forjados, presos conseguiam deixar a cadeia legalmente por meio de decisões judiciais baseadas em diagnósticos falsos.
Segundo a investigação, a maioria dos detentos beneficiados pelo esquema são lideranças criminosas que, uma vez em prisão domiciliar, romperam a tornozeleira eletrônica e se tornaram foragidos.
Abrangência da operação
No total, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão e 35 mandados de busca e apreensão em nove cidades de Santa Catarina: Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Barra Velha, Gaspar, Navegantes, Joinville, Itapema e Porto Belo. A operação também alcança Pinhais e Pontal do Paraná, no Paraná.
Os mandados foram autorizados pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e têm como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos de prova.
Perícia e próximos passos
A Polícia Científica de Santa Catarina participa da ação para garantir a preservação da cadeia de custódia das evidências. Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos a perícia especializada para extração e análise de dados.
Marcelo Marques Costa recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia. Ele responde por tentativa de homicídio doloso e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. O procedimento tramita sob sigilo e novas informações poderão ser divulgadas após a publicidade dos autos.