Paulo havia sido responsável, na sexta-feira (29), ou seja, apenas dois dias antes, pela morte de Luiz Fernandes de Oliveira, o tio condenado por torturar e permitir a morte do próprio sobrinho de 2 anos, o menino Lyan de Oliveira.
A morte de Paulo Sérgio ocorre menos de 48 horas após ele ter assassinado Luiz dentro da fábrica da unidade prisional, no setor de dobra da empresa BBC Têxtil, onde ambos trabalhavam.
Achado morto com manta amarrada na grade
Segundo o relatório dos policiais penais, ao qual o Jornal Razão obteve acesso com exclusividade, Paulo foi encontrado por outros internos por volta das 5h45 da manhã, no momento da entrega do café da manhã aos detentos da triagem.
Ao abrirem a portinhola da cela 10, os presos notaram que o colega estava suspenso por uma corda artesanal feita com a própria coberta, presa à grade da janela. O corpo estava pendurado, com a língua projetada para fora, característica compatível com morte por enforcamento.
Os policiais penais foram imediatamente acionados e confirmaram o óbito. Em seguida, chamaram o Samu, a Polícia Científica e a Polícia Civil, que compareceram ao local para os procedimentos legais.
Quem era Paulo Sérgio Mariano
Paulo estava preso após ser condenado a 60 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato brutal de três homens na zona rural de Bom Jesus, no Oeste de Santa Catarina. O crime aconteceu na madrugada de 28 de abril de 2023, na comunidade de Linha Bento, onde Paulo e as vítimas teriam ingerido bebida alcoólica juntos.
Conforme o processo judicial, ele atacou os amigos quando caminhavam embriagados por uma estrada. Foram 17 facadas em Leoveraldo dos Santos, 11 facadas em Leonardo de Amaral e oito facadas em Mateus da Silva. A motivação teria sido um desentendimento banal.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que os crimes foram cometidos com motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Os jurados acataram a tese e Paulo foi sentenciado em setembro de 2024. Ele também deveria pagar R$ 20 mil de indenização à família de cada vítima.
A morte do torturador de Lyan
Na última quinta-feira (29), Paulo Sérgio voltou a ser manchete após assassinar com uma tesoura o também interno Luiz Fernandes de Oliveira, de 43 anos, tio do menino Lyan de Oliveira, morto aos dois anos de idade após sessões de espancamento e tortura praticadas por Luiz e sua companheira Tânia Correia Claras, em Ponte Serrada (SC).
Luiz estava preso por crimes de tortura contra cinco crianças, incluindo Lyan, e por homicídio qualificado. O casal agredia os menores com fio de TV, canos de PVC, sandálias e cintos, além de privá-los de comida e obrigá-los a realizar trabalhos forçados. O menino Lyan, segundo o Ministério Público, morreu após ser espancado pela tia com chutes, tapas e socos, causando politraumatismo.
Dentro da penitenciária, Paulo teria se desentendido com Luiz após este lhe oferecer comida que lhe causou mal-estar. Nos dias seguintes, Luiz teria zombado da situação, provocando o colega com piadas recorrentes. Incomodado com as chacotas, Paulo pegou uma tesoura e o esfaqueou dentro do setor de trabalho, sendo logo em seguida levado ao isolamento.
Dois homens com histórico de violência extrema — um por triplo homicídio e outro por tortura infantil — agora aparecem mortos dentro da cadeia. O caso será investigado pela Polícia Civil de Chapecó.


