MPSC vê possível racismo religioso da PM em ocorrência na Grande Florianópolis
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) abriu uma investigação para apurar uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em São José, na Grande Florianópolis, após denúncias de barulho em um terreiro de umbanda. O caso passou a ser analisado pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, sob responsabilidade do promotor Jadel da Silva Júnior, que atua no controle externo da atividade policial e no enfrentamento ao racismo religioso no Estado.
Durante uma reunião realizada na Câmara de Vereadores de Florianópolis, Jadel afirmou que há elementos que podem indicar a prática de racismo religioso por parte dos agentes envolvidos na ação. O promotor explicou que o procedimento busca identificar eventuais excessos e garantir que o direito constitucional à liberdade de culto seja respeitado em Santa Catarina.
Segundo ele, o objetivo é fortalecer a organização e a mobilização das lideranças religiosas, criando estruturas regionais com representação jurídica e política para enfrentar casos de intolerância. A proposta inclui a criação de núcleos conectados a uma central em Florianópolis, que atuaria em apoio a comunidades de religiões de matriz africana.
A Polícia Militar, por outro lado, nega ter cometido qualquer tipo de discriminação. A corporação informou que a atuação ocorreu em resposta a denúncias de perturbação do sossego e que a abordagem foi pacífica, sem uso de armas.
Nos stories publicados em seu perfil, o promotor resumiu o posicionamento diante do caso com a frase: “Reação ao avanço do racismo religioso contra religiões de matrizes africanas no Estado.”
A investigação está em andamento e o Ministério Público deve ouvir as partes envolvidas nos próximos dias.