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em MPSC

Médico afastado de hospital em SC após pacientes perderem bebês por violência obstétrica

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 31/03/2026 08h43
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Ação do MPSC resultou em condenação solidária de R$ 300 mil por dano moral coletivo; sentença também impõe mudanças estruturais ao Hospital Maicé

Um médico do Hospital Maicé, em Caçador, foi afastado definitivamente das funções na unidade após uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ser julgada procedente. Segundo o MPSC, nascituros morreram em decorrência da violência obstétrica praticada pelo profissional, e diversas mulheres deixaram o hospital com seus bebês mortos nos braços.

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Além do afastamento, a sentença condenou o médico e o Hospital Maicé solidariamente ao pagamento de R$ 300 mil por dano moral coletivo ao Fundo Estadual de Reconstituição dos Bens Lesados.

As investigações tiveram início em 2023, quando a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Caçador passou a apurar os relatos das próprias pacientes. Conforme o MPSC, as mulheres descreveram um padrão de atendimento grosseiro e desrespeitoso, marcado pelo descumprimento de normas legais e pela violação de direitos, incluindo a inobservância do parto humanizado. À época, a promotora de Justiça Silvana do Prado Brouwers obteve liminar que afastou o médico temporariamente. Agora, o afastamento é permanente.

Os relatos reunidos pela promotoria revelam casos de extrema gravidade. Uma paciente ficou 12 horas em trabalho de parto e foi repreendida pelo médico por ter engravidado em idade que ele considerava avançada. Ao dar à luz, ela perguntou por que o bebê não chorava e ouviu do profissional: “Porque você está chorando por ele.” A criança nasceu desfalecida, foi reanimada e sobreviveu. Outra paciente relatou que o exame de toque do colo do útero era realizado de forma agressiva, causando sangramento e dor intensa, e afirmou que o trauma a fez desistir de ter outros filhos. Uma terceira mulher foi ao hospital para marcar a retirada de dois tumores na vagina e, após insistir no atendimento, foi chamada de “burra, surda e gorda” pelo médico. Ela acabou sendo operada por outro profissional.

“A sentença reconhece que nenhuma mulher deve ter sua dignidade violada no momento em que mais necessita de cuidado, acolhimento e respeito. O que se apurou não foram episódios isolados, mas condutas reiteradas que transformaram um ambiente de assistência em um espaço de dor, medo e constrangimento.”

Silvana do Prado Brouwers, promotora de Justiça

O que o hospital terá de cumprir

A sentença vai além do afastamento do médico e impõe uma série de obrigações estruturais ao Hospital Maicé. Conforme a decisão judicial, a unidade deverá capacitar continuamente médicos e enfermeiros que atuam na área da saúde da mulher, com foco no atendimento humanizado, e aprimorar seu canal de comunicação para permitir denúncias anônimas sobre situações de discriminação no tratamento à mulher.

O hospital também deverá consultar previamente a gestante sobre a participação de estudantes durante o trabalho de parto; adotar boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento conforme os parâmetros da Organização Mundial da Saúde; e implementar o protocolo de Plano Individual de Parto, informando a gestante sobre os procedimentos disponíveis e garantindo a presença de acompanhante. Além disso, deverá registrar em prontuário as justificativas clínicas para práticas desaconselhadas e não poderá impedir o contato imediato entre mãe e bebê após o nascimento, nem dificultar o aleitamento materno na primeira hora de vida da criança, salvo por justificativa médica documentada.

O caso segue com a sentença transitada em julgado na 1ª Vara da Comarca de Caçador. O cumprimento das obrigações impostas ao hospital será acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina.

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