Uma mulher acusada de matar o marido e esconder o corpo em um freezer será julgada pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (28), em Capinzal, no Oeste de Santa Catarina. O caso aconteceu em novembro de 2022, em Lacerdópolis, e ganhou repercussão pela forma como o crime foi executado.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), Claudia Fernanda Tavares responde por homicídio duplamente qualificado — por asfixia e pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima — além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O julgamento terá início às 9h, na Câmara de Vereadores de Capinzal, e será realizado sob segredo de justiça.
A sessão terá restrições de acesso devido ao espaço limitado do plenário. Parte das vagas será destinada a familiares da vítima e da ré. O restante será aberto ao público e à imprensa, mediante distribuição de senhas por ordem de chegada.
O crime
Segundo a denúncia, no dia 14 de novembro de 2022, por volta das 11h, Claudia teria dopado o marido, Valdemir Hoeckler, de 52 anos, logo após ele sair do banho. Ela lhe deu uma dose maior de medicamentos do que a usual, aguardou que adormecesse e, então, amarrou pés e mãos da vítima. Em seguida, colocou uma sacola plástica em sua cabeça, prendeu uma câmara de pneu em volta do pescoço e pressionou a boca do homem até sufocá-lo.
Ainda conforme a investigação, durante a tentativa de resistência, Valdemir chegou a soltar uma das mãos, mas foi contido pela esposa, que manteve a pressão até que ele perdesse os sentidos e morresse.
Depois do homicídio, o corpo foi escondido dentro do freezer da casa onde o casal vivia, na comunidade de Linha São Roque. Um boletim de ocorrência de desaparecimento foi registrado no dia seguinte, e buscas foram iniciadas. O corpo foi encontrado uma semana depois, intacto, mas encolhido para caber no eletrodoméstico, ainda com a sacola na cabeça.
Na época, o delegado Gilmar Bonamigo destacou que, durante as buscas, equipes do Corpo de Bombeiros chegaram a fazer uma refeição na casa e consumiram refrigerantes que estavam armazenados no mesmo freezer, sem saber que o corpo estava escondido no fundo do compartimento.
Confissão e depoimento
Poucos dias após o crime, Claudia concedeu entrevista a um canal independente e confessou ter assassinado o marido. Em depoimento à Polícia Civil, relatou que havia sido proibida por Valdemir de participar de uma confraternização de fim de ano com colegas de trabalho em Abdon Batista, na Serra catarinense. Também afirmou que vinha sofrendo ameaças de morte e que essa teria sido a motivação para cometer o crime.
A defesa alegou que Claudia era vítima de violência doméstica durante os 20 anos de relacionamento. Em nota divulgada na época, um dos advogados informou que a mulher se apresentou espontaneamente às autoridades.
Situação atual
Claudia chegou a responder em liberdade a partir de agosto de 2023, após a revogação da prisão preventiva. No entanto, em junho deste ano, voltou ao Presídio Feminino de Chapecó, após recurso do Ministério Público que restabeleceu a medida.
Segundo o advogado Matheus Molin, a estratégia da defesa será demonstrar aos jurados que a ré teria sido alvo de abusos psicológicos e físicos ao longo da relação e que, inclusive, foi privada da convivência com a filha do casal.


