‘Namoro’ entre crianças de 9 anos quase termina em tragédia em SC: “rachar cabeça da talarica”
Por equipe Jornal Razão
Publicado em 12/06/2025 16h30| Atualizado há 247 dias
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Uma aluna de apenas 9 anos virou alvo de ameaças violentas e ofensas racistas por parte de colegas de sala em Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina. Os ataques começaram após uma mudança de lugar dentro da sala de aula e escalaram para um grupo de WhatsApp criado pelos próprios estudantes, onde circulavam mensagens agressivas como: “Vou rachar tua cabeça com machado!”.
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Segundo relato do pai à Folha Regional, veículo de comunicação parceiro do Jornal Razão, a situação se agravou quando a própria menina foi adicionada ao grupo, sendo exposta diretamente às mensagens de ódio. O episódio teria ocorrido na terça-feira, dia 3 de junho, e, desde então, a família afirma estar sem qualquer respaldo efetivo por parte da escola ou do poder público.
Grupo criado por crianças da escola
O grupo foi criado por uma aluna que se dizia “namorada” de outro colega de 9 anos com quem a vítima havia criado uma amizade. A convivência entre os dois, sentados lado a lado após alteração feita pela professora, teria sido o gatilho para a criação do grupo e início das agressões.
A menina chegou a se arrumar para ir à escola no dia seguinte, mas entrou em desespero ao ler as mensagens no celular. Embora tenha sido removida do grupo pouco depois, os prints com frases violentas e figurinhas de conteúdo racista já estavam registrados.
Afastamento da escola e pressão por retorno
A criança deixou de frequentar a escola por medo, mas os pais foram notificados de que, após cinco dias de ausência, ela poderia ser inserida no Sistema APOIA, do Ministério Público de Santa Catarina, que monitora casos de evasão escolar.
“Minha filha sofreu tudo isso e queriam exigir que ela fosse pra escola depois de toda essa ameaça, de tudo o que ela está sofrendo. Mas não tomaram nenhuma atitude”, desabafa o pai.
Sem saída, a menina retornou às aulas nesta quarta-feira (11), mas a insegurança permanece.
Denúncias ignoradas, dizem os pais
De acordo com a família, o caso já foi comunicado ao Conselho Tutelar, à Delegacia de Polícia e à própria Escola Municipal de Educação Básica Stanislau Gaidzinski Filho, onde a menina estuda. No entanto, os pais denunciam a ausência de providências concretas.
“A escola só fez reunião e não se manifestou mais. Até agora não tivemos atendimento nenhum”, afirma o pai, que demonstra profunda indignação com a forma como o caso tem sido tratado.
Prefeitura divulga nota oficial
A respeito do caso de “bullying” e “cyberbullying” envolvendo uma estudante da Rede Municipal de Ensino, informamos que o Município de Capivari de Baixo repudia veementemente qualquer forma de preconceito, discriminação ou racismo. Reafirmamos nosso compromisso com a promoção do respeito e da convivência saudável entre nossas crianças e adolescentes. A Secretaria Municipal de Educação, junto à equipe escolar, já desenvolve ações contínuas de conscientização e combate ao bullying buscando sempre o diálogo, a orientação e a formação de uma cultura de paz. O caso está sendo acompanhado de perto pela Secretaria de Educação, Conselho Tutelar e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), garantindo todo o suporte necessário à vítima e sua família. Seguiremos firmes no propósito de construir um ambiente escolar seguro, acolhedor e inclusivo para todos. Município de Capivari de Baixo – Claudir Bitencourt – Prefeito