A manhã tranquila no Sul da Ilha se transformou em uma das ocorrências mais brutais dos últimos anos em Florianópolis (SC). Catarina Kasten, estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisadora e professora de idiomas, foi estuprada e assassinada enquanto seguia para sua aula diária de natação no mar, na trilha que liga o Matadeiro à Praia da Armação.
O crime, que mobilizou diversas guarnições da Polícia Militar, resultou na prisão em flagrante de Giovane Correa Mayer, 21 anos, natural de Viamão (RS) — um nome que já constava em um histórico anterior de acusação de estrangulamento seguido de estupro, registrado em 2022. A apuração é exclusiva do Jornal Razão
A manhã do crime: a rotina interrompida
Catarina saiu de casa por volta das 06h50, como fazia diariamente. O ponto de encontro do grupo de natação ficava em frente à igreja da Armação. Quando não retornou até as 9h, o companheiro inicialmente acreditou que ela estivesse em alguma atividade prolongada.
Porém, ao meio-dia, mensagens em um grupo de WhatsApp de alunos da natação informavam que pertences dela haviam sido encontrados na trilha. A partir daí, a preocupação se tornou desespero. A professora confirmou que Catarina não havia aparecido na aula, e ele acionou imediatamente a PM.

Buscas e descoberta do corpo
Diversas equipes foram mobilizadas. Durante as buscas, dois jovens abordaram a polícia afirmando ter encontrado um corpo.
Um deles relatou que entrou em um pequeno beco para urinar e avistou o cadáver de uma mulher jogado no mato. O outro correu de volta pela trilha para avisar os policiais que investigavam o desaparecimento.
O local foi isolado e todas as forças competentes foram acionadas: SAMU, Polícia Civil, IGP e equipe de Local de Crime.
As imagens que levaram ao autor
Moradores da região forneceram imagens que se tornaram peça-chave para a prisão. Em câmeras da entrada da trilha, um homem aparece às 06h05, escondendo-se atrás de uma lixeira, trajando camiseta azul do Avaí, calça e tênis. Depois, às 06h53, ele surge correndo pela areia, sem camisa e usando bermuda branca, apenas 30 segundos após Catarina passar pelo mesmo ponto.
Duas turistas também registraram fotos de um homem que surgiu repentinamente atrás delas enquanto tiravam imagens da praia, olhando fixamente para dentro do mato. As fotos mostraram o mesmo indivíduo dos vídeos.
A circulação extraoficial das imagens entre moradores permitiu que o homem fosse reconhecido como Giovane Correa Mayer, morador de aluguel na região da Armação.

A prisão e a confissão brutal
Com base em imagens, fotos, relatos e reconhecimento comunitário, as guarnições se dirigiram à residência de Giovane. Tratando-se de situação de flagrante, os policiais entraram no imóvel para evitar fuga.
Dentro da casa, Giovane confessou espontaneamente que:
- estava voltando de uma festa;
- havia usado drogas;
- escutou “vozes em sua cabeça” dizendo para atacar Catarina;
- estrangulou a vítima;
- a estuprou ainda com vida;
- finalizou o homicídio usando uma corda no pescoço;
- arrastou o corpo para dentro da mata para ocultar o crime.
O autor tinha marcas de arranhões nas costas e todas as roupas usadas por ele nas imagens foram encontradas dentro da residência.
Histórico anterior: a acusação de 2022
Giovane Correa Mayer já havia sido denunciado em 2022 em uma ocorrência de estupro com lesão corporal, cujo relato policial é quase idêntico ao que ocorreu com Catarina:
- vítima estrangulada;
- violência sexual em seguida;
- presença de sangue no local;
- agressão vista por testemunha em chamada de vídeo;
- ataque repentino.
Ele não chegou a ser condenado — tampouco preso. Giovane tinha 17 anos à época dos fatos. Não há informações sobre eventuais investigações ou desfecho do crime.
Pertences apreendidos
Os pertences de Catarina – pés de pato, sandália e bola – estavam dentro de uma bolsa de praia, apreendida pela PM e encaminhada à delegacia.
Indiciamento e repercussão
Diante das provas, depoimentos, fotos, vídeos, vestes apreendidas e da confissão, Giovane Correa Mayer recebeu voz de prisão e foi levado à Delegacia para autuação em flagrante por:
- estupro;
- homicídio qualificado;
- ocultação de cadáver.
O caso provocou comoção e indignação em Florianópolis, especialmente na comunidade universitária e entre moradores do Sul da Ilha, que colaboraram diretamente para a identificação e captura do assassino.

A investigação segue agora com a Polícia Civil, que deve aprofundar a conexão entre o histórico anterior do suspeito e o feminicídio de Catarina.