Um professor de 47 anos foi preso nesta quarta-feira (19) após a Polícia Civil reunir elementos que o apontam como autor de abusos sexuais cometidos contra crianças em Gaspar e Pomerode. O caso que motivou o acionamento imediato da Polícia Militar ocorreu numa Escola Estadual de Gaspar, no Vale do Itajaí, onde uma aluna de 9 anos relatou ter sido vítima do docente durante a aula de artes. A apuração é exclusiva do Jornal Razão.
No dia dos fatos, a guarnição foi chamada pela direção da escola por volta do fim da manhã. Ao chegarem, os policiais foram recepcionados pela diretora, que confirmou ter ouvido o relato das crianças e acionado os responsáveis e a PMSC conforme protocolo.
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima contou que o professor a chamou até a mesa dele para “arrumar as cartinhas” e, nesse momento, expôs sua genitália à criança. Uma colega de classe testemunhou toda a cena.
No encerramento da aula, o professor teria chamado novamente a menina e colocado um pacote de doces dentro do estojo escolar. As representantes legais acompanharam todo o registro policial e informaram que a filha saiu da escola “chupando bala”, o que as motivou a questionar a origem do doce. Segundo a mãe, a criança relatou que o professor pediu para que ela “não contasse nada para ninguém”.
O suspeito já havia deixado o colégio antes da chegada da PM. A direção informou que ele lecionou apenas as três primeiras aulas previstas em sua carga horária e saiu do prédio no momento em que os relatos começaram a surgir entre as crianças.
Relatos semelhantes vinham de outra cidade
Conforme a apuração exclusiva do Jornal Razão, o inquérito, os investigadores descobriram que o mesmo professor já era alvo de investigação em Pomerode por suspeita de abuso contra uma aluna de seis anos, crime que teria ocorrido em outubro. A criança relatou aos pais que era chamada pelo docente para ir “debaixo da mesa” durante a aula de musicalização, onde ele lhe dava balas e expunha seus órgãos genitais. A vítima contou que o professor dizia para que “não contasse nada a ninguém”. A menina afirmou que isso ocorreu mais de uma vez.
Questionada, a criança ainda deu um relato chocante: “o pipi dele era grande”, contou.
Professor já tinha condenação por crime sexual
Carlos Gieland Goulart – identificado com exclusividade pelo Jornal Razão – já havia sido condenado anteriormente por crime sexual, fato que aumentou a preocupação das autoridades pela possibilidade de novas vítimas e pelo risco à ordem pública. Ele inclusive chegou a cumprir pena por volta dos anos de 2008 e 2009.
Diante das evidências e da reincidência, o delegado responsável solicitou a prisão preventiva com máxima urgência.
Fuga para a mata durante tentativa de prisão
O mandado judicial de prisão preventiva foi expedido na segunda-feira (17). No entanto, ao perceber a chegada dos policiais, o professor correu para uma região de mata próxima de sua residência e conseguiu escapar. As equipes realizaram buscas durante toda a madrugada e parte do dia, inclusive com apoio de drones, mas ele não havia sido localizado.
A fuga reforçou para a Polícia Civil Santa Catarina o risco concreto de evasão, além de demonstrar a gravidade dos fatos e a necessidade de afastá-lo do convívio social de forma imediata, especialmente pela possibilidade de haver outras vítimas.
Apresentação espontânea e confissão na delegacia
Na manhã desta quarta-feira (19), acompanhado de um advogado, o professor se apresentou na delegacia de Gaspar. Ele foi interrogado formalmente e, segundo confirmado pelo Jornal Razão, confessou os abusos relatados pelas alunas de Gaspar e Pomerode.
Após o depoimento, o suspeito foi imediatamente encaminhado ao Presídio Regional de Blumenau, onde permanece à disposição da Justiça. Ele deverá passar por audiência de custódia dentro de 24 horas, conforme o procedimento legal.
Crimes imputados e penas previstas
O professor poderá responder por estupro de vulnerável e importunação sexual, crimes previstos no Código Penal com penas que podem variar de oito a 15 anos de prisão para o primeiro delito, além de sanções cumulativas em caso de comprovação dos outros atos investigados.
Os pais das vítimas foram orientados sobre todas as medidas cabíveis, incluindo acompanhamento psicológico especializado e encaminhamento aos serviços de proteção garantidos por lei.
A investigação permanece em andamento. Novos detalhes poderão ser divulgados conforme autorização da autoridade policial responsável pelo caso.