Uma operação aérea mobilizou a Polícia Militar de Santa Catarina nesta quinta-feira (17) para resgatar uma capivara que havia caído de um penhasco em uma das trilhas mais conhecidas – e perigosas – de Florianópolis. O animal estava preso desde segunda-feira (14) na região da Trilha da Caverna, entre o Pântano do Sul e a Lagoinha do Leste, e só foi retirado com segurança graças ao trabalho da Polícia Militar Ambiental (PMA) e do Batalhão de Aviação (BAPM).
O local onde a capivara se encontrava é de acesso extremamente difícil, com paredões íngremes e costões rochosos, o que exigiu uma ação especializada. Um vídeo do resgate mostra a complexidade da operação: agentes descem de rapel até o ponto onde o animal estava, imobilizam a capivara com uma capa verde e a içam com auxílio de cabos até o helicóptero que pairava acima da encosta.
Segundo o capitão Eduardo Rosa, da Polícia Militar Ambiental, o resgate só foi possível após uma análise técnica detalhada da área. Na terça-feira (15), uma equipe chegou a ir até o local para verificar a situação, mas não conseguiu realizar o salvamento por falta de equipamento adequado para aquele tipo de terreno.
“Era uma área muito perigosa. Tentamos inicialmente por terra, mas o risco era alto tanto para o animal quanto para a equipe. Foi necessário envolver o helicóptero para garantir a segurança de todos”, explicou Rosa.
O resgate foi concluído com sucesso e a capivara foi levada ao Pântano do Sul, onde uma viatura da PMA já aguardava para transportá-la até o CETAS (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres). De acordo com a PMA, o animal apresentava sinais de estresse e desidratação, mas estava em condições estáveis.
A trilha onde tudo aconteceu está atualmente interditada pela Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), justamente por ser considerada de alto risco. Foi ali que, em maio deste ano, o turista argentino José María Alday, de 70 anos, desapareceu durante uma caminhada. O corpo dele foi encontrado 10 dias depois por um pescador, num costão entre o Pântano e a Lagoinha. Outro caso semelhante, segundo o capitão Rosa, ocorreu em 2003, também com desfecho fatal.
Apesar do histórico trágico da região, o desfecho desta vez foi positivo graças à atuação rápida, coordenada e eficiente da Polícia Militar Ambiental. A operação foi elogiada nas redes sociais após a divulgação do vídeo do resgate.
“É mais uma prova de que a Polícia Militar de Santa Catarina está preparada para atuar em qualquer situação, com competência, respeito à vida e dedicação ao serviço público”, destacou um dos comentários feitos à PM nas redes.
A capivara permanece sob observação no CETAS e, após avaliação médica e período de reabilitação, deve ser devolvida à natureza. Já a trilha onde ocorreu o acidente segue fechada ao público até nova avaliação de segurança.
A ação reforça o papel fundamental das forças ambientais da PM no cuidado com a fauna silvestre de Santa Catarina, demonstrando que o compromisso com a preservação vai além da teoria — é colocado em prática, mesmo quando envolve riscos e desafios operacionais.