A confirmação oficial do tornado que atingiu Barra Bonita, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, trouxe à tona relatos assustadores vividos por moradores da comunidade 13 de Maio, uma das mais afetadas.
O fenômeno destruiu residências, destelhou casas, arrancou árvores pela raiz e jogou uma casa inteira sobre um carro, cena que virou símbolo da devastação.

Casa foi lançada sobre veículo estacionado
Em uma das imagens mais impactantes do desastre, uma caminhonete aparece totalmente esmagada sob a estrutura de uma residência. Segundo moradores da região, o carro estava estacionado embaixo da casa, que era sustentada apenas por pilotis de madeira. “Ela estava elevada, e com o vendaval caiu tudo. Sorte que ninguém se feriu”, escreveu uma internauta nos comentários. As informações e imagens foram gravadas com exclusividade pelo repórter Cristian Lösch, parceiro do Jornal Razão.
Uma moradora vizinha do local contou que a cena foi registrada logo após o tornado. “As paredes e o telhado foram parar a metros de distância. O carro ficou prensado. É chocante ver isso”, relatou.

‘Parecia que o mundo ia acabar’
Uma das casas mais destruídas pertence a uma família que havia se mudado para o local há apenas dois meses. “Eu e a mãe estávamos tomando chimarrão na área quando começou a tormenta. De repente, as pedras começaram a cair e ficaram acumuladas. Era tanto gelo que precisei usar um rodo para puxar pra fora. Nunca vi nada assim”, contou a moradora.
O tornado destelhou completamente a residência, abriu buracos no telhado, molhou móveis e danificou a estrutura. A mãe da moradora, que faz uso de oxigênio, passou por momentos de grande susto. A filha ainda caiu e bateu a cabeça, mas se recuperou logo depois.
Apesar dos danos materiais, a família não sofreu ferimentos graves. “O transtorno agora é ter que arrumar tudo de novo. Mas graças a Deus estamos bem”, disse a moradora.

Ventos causaram estragos também em outras cidades
O fenômeno que passou por Barra Bonita também atingiu cidades próximas como São Miguel do Oeste, Romelândia e Bandeirante. Em São Miguel, dezenas de casas foram parcialmente ou totalmente destelhadas. Árvores tombaram sobre ruas, bloqueando vias inteiras e interrompendo o fornecimento de energia.
Em Bandeirante, a chuva e os ventos fortes causaram transtornos durante a realização da 2ª Faciband. Já em Romelândia, moradores relataram momentos de pânico quando os ventos derrubaram muros e atingiram lavouras.
População se uniu em mutirão de solidariedade
Logo após o fenômeno, moradores se mobilizaram para ajudar quem mais precisava. Grupos formados espontaneamente agiram durante a madrugada para retirar galhos, desobstruir acessos e oferecer abrigo a vizinhos afetados. “Mesmo sem luz, a gente saiu no escuro com lanterna na mão. O importante era ajudar quem perdeu tudo”, contou um voluntário.
A CELESC também agiu rapidamente e mobilizou equipes para restabelecer a energia nas comunidades afetadas. O trabalho seguiu ininterrupto ao longo de toda a madrugada.
Clima de tensão e reconstrução
Apesar do cenário de destruição, não há registro oficial de feridos. O que fica, segundo os relatos, é o trauma e a necessidade urgente de recomeçar. “Tem gente que só veio aqui pra olhar, mas também teve muita gente de coração bom que se uniu e fez a diferença”, comentou uma moradora da comunidade.
O clima agora é de reconstrução e solidariedade, com moradores ainda contabilizando os estragos enquanto tentam retomar a rotina após o impacto do fenômeno.