A tutora de uma cachorra filhote de buldogue francês que engoliu 55 pedras de crack em Joinville, no Norte catarinense, foi solta após audiência de custódia. O Poder Judiciário entendeu que a quantidade de entorpecente apreendido, cerca de 12 gramas, não é suficiente para tipificar o crime como tráfico de drogas. A mulher, no entanto, responde por maus-tratos e tráfico e terá que cumprir medidas cautelares.
O caso teve início na sexta-feira (17), quando um casal e sua filha levaram a cachorra, de apenas 3 meses de idade, a uma clínica veterinária de Joinville com quadro de intoxicação. Durante o atendimento emergencial, a veterinária realizou exames e um procedimento para retirada de um corpo estranho do organismo do animal.
O que parecia ser um objeto isolado se revelou muito mais grave: ao todo, foram retiradas 55 pedras de crack do interior da filhote.
Veterinária também constatou falta de vacinas e vermífugo
Além da intoxicação pela droga, a veterinária verificou que os tutores não haviam providenciado a vermifugação nem as vacinas obrigatórias para a cachorra, o que agravou o quadro de maus-tratos ao animal.
A clínica veterinária acionou a Polícia Militar na segunda-feira (20). Mais tarde, a família retornou ao local para saber sobre o estado de saúde do animal, e os policiais realizaram o flagrante. Foi a própria filha do casal, a tutora direta da cachorra, quem admitiu aos policiais que as pedras de crack eram dela. A idade da mulher não foi divulgada.
Justiça soltou com medidas cautelares
A audiência de custódia aconteceu na tarde de sábado (18). O Judiciário levou em consideração a quantidade reduzida de droga apreendida e a ausência de antecedentes criminais da mulher para conceder a liberdade. No entanto, ela terá que cumprir uma série de medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento às autoridades sempre que intimada, proibição de mudança de endereço sem autorização, obrigação de não se ausentar de casa por mais de oito dias sem informar onde pode ser encontrada e recolhimento domiciliar fora do horário de trabalho.
A mulher responde pelos crimes de maus-tratos a animais e tráfico de drogas. O G1 não conseguiu contato com a defesa.
Segundo a clínica veterinária, a filhote de buldogue francês seguia se recuperando até o final da manhã desta terça-feira (21). O Centro de Bem-Estar Animal de Joinville foi acionado para providenciar os documentos de microchipagem e encaminhar a cachorra para uma nova adoção, garantindo que o animal receba os cuidados adequados em um novo lar.