Indignada com a sensação de impunidade, uma moradora de Tijucas procurou o Jornal Razão para relatar o prejuízo financeiro e emocional vivido pela família após ser vítima de uma sequência de furtos cometidos ontem pela manhã, com uso de tecnologia para violar veículos estacionados na cidade. Segundo ela, o caso só foi esclarecido graças à atuação da Polícia Militar de Santa Catarina, enquanto os suspeitos acabaram sendo soltos horas depois.
De acordo com o relato, o crime ocorreu pela manhã de segunda-feira (03), quando a família saiu para fazer compras em um supermercado de Tijucas. O carro ficou cerca de 30 minutos no estacionamento. Ao retornarem para casa, começaram a chegar notificações bancárias de compras aprovadas nos cartões de crédito da irmã e do sobrinho da vítima. Inicialmente, a família acreditou se tratar de clonagem, mas logo percebeu que os cartões haviam sido furtados.
A vítima contou que a família registrou boletim de ocorrência e iniciou uma busca por imagens de câmeras para identificar onde o furto havia ocorrido. Segundo ela, tanto o posto de combustível quanto o supermercado colaboraram, confirmando que o crime aconteceu no estacionamento e repassando características do veículo utilizado. Ainda conforme o relato, a Polícia Civil informou que teria prazo de até cinco dias para solicitar as imagens, o que, na avaliação da família, inviabilizaria um flagrante.
A virada no caso, segundo a moradora, ocorreu após ela relatar a situação a um policial militar que estava na delegacia. Conforme a vítima, o agente informou que crimes semelhantes já haviam ocorrido no dia anterior e passou a agir imediatamente. A Polícia Militar de Santa Catarina montou um cerco, levantou a placa do veículo e identificou que o mesmo suspeito havia praticado furtos também em Itapema.
A abordagem ocorreu por volta das 23h, na Rua Coronel Buchelle, em frente à Câmara de Vereadores, no Centro de Tijucas. Segundo o boletim da PM, dentro do veículo foi encontrado o dispositivo eletrônico conhecido como “chapolim”, usado para destravar carros sem sinais de arrombamento. Na residência do suspeito, os policiais localizaram diversas bolsas, cartões bancários de várias vítimas e porções de cocaína. Uma máquina de cartões também foi apreendida e, conforme apurado, era usada para realizar compras com os cartões furtados.
Ainda segundo o registro policial, o homem e a mulher que estavam no local receberam voz de prisão e reagiram à abordagem, sendo necessário o uso de força e algemas. Todo o material apreendido e o veículo foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Itapema, responsável pelo plantão.
Na manhã seguinte, ao retornar à delegacia para prestar depoimento e tentar recuperar os pertences, a família recebeu a informação de que os dois suspeitos haviam sido soltos. Conforme relatado à reportagem, o delegado de plantão não teria reconhecido a situação como flagrante.
“É uma sensação de impunidade total. A Polícia Militar fez o trabalho dela, prendeu com provas, com os objetos do furto, e mesmo assim eles estão na rua de novo”, afirmou a vítima. Segundo ela, além do prejuízo financeiro com cartões e documentos, as férias da irmã, que veio do Rio Grande do Sul para visitar a família, foram completamente comprometidas.
O caso foi registrado como furto, receptação e posse de drogas. A vítima afirma que procurou o Jornal Razão para expor a indignação e cobrar respostas. “O bandido está solto, e quem sofre somos nós, que seguimos arcando com os prejuízos e com a sensação de que nada acontece”, concluiu.