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China, México e Chile barram frango após foco de Newcastle em granja de 6 mil perus no Oeste de SC

Granja de perus fica em Nova Itaberaba; cerca de 6 mil aves serão sacrificadas e 133 granjas da região estão sob vigilância

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China, México e Chile barram frango após foco de Newcastle em granja de 6 mil perus no Oeste de SC
Foto: Reprodução
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China, México e Chile restringiram a compra de carne de aves do Brasil depois que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A China e o Chile limitaram o bloqueio aos produtos catarinenses. O México suspendeu as importações de todo o país.

O foco foi confirmado no domingo (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), referência internacional no diagnóstico da doença, e anunciado pelo ministério nesta segunda-feira (19). O vírus apareceu durante uma ação de vigilância ativa. A granja tem cerca de 6 mil aves, que deverão ser sacrificadas. Segundo o governo federal, nenhum animal deixou a propriedade desde o início do alojamento.

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O Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina interditou a granja e suspendeu a movimentação de aves. A área de restrição, de cerca de 10 quilômetros ao redor do foco, alcança Nova Itaberaba, Nova Erechim, Águas Frias e Coronel Freitas. Nessa área, 133 granjas passam a ser acompanhadas pelas equipes de defesa agropecuária, e foi declarado estado de emergência na região. O governo do Estado trabalha em conjunto com o ministério.

Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), as aves não mostravam sinais da doença: o vírus apareceu nos exames de laboratório feitos na vigilância de rotina. As equipes vão visitar cerca de 1.600 propriedades rurais da região, e em pouco mais de 130 delas pode ser preciso coletar sangue das aves para análise. Pelo programa Olho Bom, 40 caminhonetes fiscalizam o trânsito de veículos e cargas no raio de 10 quilômetros do foco, com barreiras sanitárias.

“Nossa equipe da Cidasc detectou a doença durante o nosso trabalho de rotina feito periodicamente junto às granjas em todo o estado. O foco agora é o controle e o monitoramento das demais propriedades que possuem aves, além das nossas barreiras sanitárias na região”, disse a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

O México foi o primeiro a reagir. Nesta segunda-feira (19), o governo mexicano suspendeu a importação de produtos avícolas de todo o território brasileiro: aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias, aves canoras, ornamentais e de rapina destinadas à venda e aves de companhia. A restrição vale também para produtos trazidos por turistas.

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A Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México informou que a medida busca proteger a produção avícola do país, que é considerado livre da doença.

Nesta terça-feira (20), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, informou que o Brasil suspendeu de forma preventiva os embarques de carne de frango para a China, a maior compradora do produto brasileiro. A suspensão segue o protocolo sanitário entre os dois países. Segundo Santin, os embarques também foram suspensos para México, Chile, Malásia e Cazaquistão.

“A gente já fez uma autossuspensão, porque estava previsto no protocolo sanitário entre o Brasil e a China que, se houvesse uma doença de notificação obrigatória, o Brasil deveria suspender imediatamente as exportações para a China e mandar informações, aguardando que a China respondesse que tipo de regionalização ela gostaria”, disse Santin, durante a Sial Paris, feira internacional de alimentos realizada na França.

Ainda na terça-feira (20), o ministério informou que a China suspendeu as importações de carne de aves apenas de Santa Catarina e manteve as compras dos demais estados, depois de uma negociação entre os dois governos. “A atuação do Mapa permitiu evitar a suspensão das importações provenientes de todo o território nacional”, afirmou a pasta em nota. No Brasil, 61 estabelecimentos têm habilitação para exportar carne de frango para a China.

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O Chile também restringiu a entrada de produtos avícolas catarinenses, com uma lista mais ampla que a chinesa: ovos férteis, ovos SPF (de galinhas livres de patógenos específicos), pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos que contenham carne fresca de aves. A medida chilena vale só para Santa Catarina.

O ministério diz que mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores e envia informações técnicas sobre o foco e as medidas de controle. “A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado”, informou a pasta. Os demais mercados seguem em monitoramento.

Segundo o ministério, “o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”. A doença não passa para as pessoas pelo consumo de carne de aves ou de ovos inspecionados. A infecção em humanos é rara, ocorre pelo contato direto com aves doentes ou materiais contaminados e costuma causar uma conjuntivite leve e passageira.

A doença de Newcastle é causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) e atinge aves domésticas e silvestres. O vírus passa de uma ave para outra pelo ar, por secreções e fezes, e também por água, ração, roupas, calçados, veículos e equipamentos contaminados. Nas aves, provoca problemas respiratórios e digestivos, tremores, paralisia e queda brusca na postura de ovos. As linhagens mais agressivas matam até 100% das aves de um lote, e não há tratamento. O vírus já circula no Brasil em aves silvestres.

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Em julho de 2024, um foco em uma granja comercial de frangos em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, levou o governo a suspender preventivamente a certificação de exportações de carne de aves para 44 países. As restrições foram ajustadas depois.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/economia/china-mexico-chile-barram-frango-foco-newcastle-sc

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