Rosimeri Aparecida Alves Pereira, de 54 anos, conhecida em Tijucas como Meri, a “mãe das trigêmeas”, leva café e lanche gratuitos a pais que esperam o atendimento dos filhos no Hospital Infantil. O projeto Café com Afeto distribui de 150 a 200 cafés a cada visita e vai ao hospital duas ou três vezes por ano.
A ideia nasceu de uma mensagem. Meri ajudava uma família do bairro Jardim Progresso que tinha um bebê sempre doente. A mãe levava a criança ao Hospital Infantil nos carros da saúde, chegava às 4h ou 5h da manhã e ficava lá até as 15h, à espera do atendimento.
Num desses dias, por volta das 14h, a mãe mandou mensagem para Meri pedindo ajuda em dinheiro. Ela estava com dor na barriga de tanta fome. “E ali, naquele exato momento, mais uma vez, eu senti Deus tocando em mim, o Espírito Santo soprando no meu ouvido que eu tinha que fazer alguma coisa”, contou Meri em entrevista ao Jornal Razão.
Desde então, Meri reúne amigos e familiares, faz a arrecadação e leva o lanche ao hospital. “A gente leva, assim, tudo coisas muito boas, o que a gente compraria pra nós, a gente leva pra essas pessoas”, disse. Bolos, biscoitos, sucos e café ficam numa mesa com a faixa do projeto, que avisa: “Retire o seu grátis aqui”.

A ajuda chega rápido. No último café, a arrecadação começou numa segunda-feira, para a visita da segunda seguinte. Na quinta-feira, Meri já estava dispensando doações, porque o grupo tinha o suficiente para todo o café e ainda sobrava dinheiro.
Segundo Meri, todos os valores recebidos são mostrados no grupo do projeto, e as compras são feitas em conjunto. O que sobra também é decidido por todos: guardar para o próximo café, doar a uma família que precisa ou comprar alimentos para outras famílias. Participam as filhas dela, o marido, primas, amigos e amigas.
A promessa no leito do hospital
A vontade de ajudar vem de antes do café. Meri diz que passou pelo menos 40 dos 54 anos de vida “fazendo alguma coisa boa pra alguém”. Em dezembro de 2011, ela sofreu um acidente, perdeu a perna direita e ficou muitos dias internada no Hospital Regional.
Sem poder sair do leito, Meri ouvia grupos passando pelos corredores com músicas de Natal e da igreja. “Eu queria ver, só que como eu não podia levantar do leito, então eu não via, mas eu ouvia”, lembrou. Ao receber alta, ela prometeu a si mesma que um dia voltaria ao hospital para fazer o mesmo: cantar.
Em 2019, Meri contou a história a amigos, que abraçaram a ideia, e assim surgiu o coral Sorrindo pra Vida. O grupo já cantou no Hospital Regional, onde ela ficou internada, no Hospital Governador Celso Ramos e no Hospital Infantil, e tem uma visita ao Cepon prevista para este ano. “A gente leva alegria, mas nós recebemos muito mais”, afirmou.
Por muito tempo, o trabalho ficou nos bastidores. Agora, o grupo decidiu contar a história para mobilizar outras pessoas, com novas ideias ou com ajuda ao próprio Café com Afeto, porque muita gente quer ajudar e não sabe a quem.
“Quando nós ajudamos o próximo, pode ter certeza absoluta que quem é ajudado somos nós. Sempre tem alguém pra gente estender a nossa mão”, disse Meri, que também é catequista. Às crianças do grupo de catequese, ela ensina que o amor é o alicerce de tudo.
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/geral/meri-tijucas-cafe-com-afeto-hospital-infantil
















