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“Ele era uma luz pra mim”: promotora que defende animais em SC se despede do cão Bento

Conforme o MPSC, Simone Cristina Schultz, coordenadora do grupo de defesa dos animais do órgão, já tinha contado a história com o Bento no quadro "Meu Elo Com".

“Ele era uma luz pra mim”: promotora que defende animais em SC se despede do cão Bento
Foto: Reprodução
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A promotora de Justiça Simone Cristina Schultz, coordenadora do Grupo Especial de Defesa dos Direitos dos Animais (GEDDA) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), contou em um vídeo publicado nesta quinta-feira (15) que o cão Bento, seu companheiro, morreu.

“Hoje é um dia bem difícil pra mim. Me desculpem se eu me emocionar enquanto eu falar, mas o Bento partiu”, disse a promotora no início da gravação, divulgada nas redes sociais do MPSC.

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Segundo o Ministério Público, Simone já tinha contado a história com o Bento no quadro “Meu Elo Com”, uma série de vídeos em que membros e servidores da instituição falam do vínculo com os animais de estimação. O quadro faz parte do Projeto Elo (Educação e Escuta para a Proteção Animal e Cidadania Digital), lançado pelo MPSC em 6 de julho e idealizado pela promotora de Justiça Gabriela Basso Alpini.

No novo vídeo, a promotora fala direto para a câmera. A gravação é intercalada com fotos dela com o Bento ao ar livre, na praia, em eventos com o microfone na mão e na porta da sala do GEDDA.

A promotora Simone Cristina Schultz com o cão Bento (Foto: Reprodução/MPSC)

“Ele era uma luz pra mim”

Emocionada, Simone disse que o cão ensinou a ela a ver beleza, empatia e “a necessidade de intervenção em situações que pudessem passar despercebidas em relação a pessoas que realmente precisavam de ajuda” na profissão.

“Pessoas e animais. Ele realmente me fez amadurecer como ser humano, evoluir como ser humano”, afirmou. “Ele era um animal realmente diferenciado, um ser diferenciado. Ele era uma luz pra mim.”

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A promotora também deixou um recado para quem tem receio de demonstrar carinho pelos bichos: “Às vezes, as pessoas têm vergonha de manifestar esse amor tão genuíno pelos animais. Não tenham. É um amor realmente nobre e engrandecedor. Ele é digno de ser divulgado, de ser expressado”.

Na publicação, o MPSC escreveu que o vínculo lembra uma responsabilidade coletiva: reconhecer que os animais merecem cuidado, proteção e uma vida livre de violência e crueldade.

Quem é a promotora

Simone Cristina Schultz, que também aparece em documentos do MPSC como Simone Cristina Schultz Corrêa, coordena o GEDDA. Em outubro de 2025, no III Fórum Catarinense de Protetores e Ativistas, realizado na Assembleia Legislativa, ela apresentou ações da 21ª Promotoria de Justiça de Joinville e foi homenageada pelo trabalho na causa animal. “Muitas vezes não é falta de recurso, e sim de gestão”, disse na ocasião, ao falar das políticas públicas de proteção aos animais.

Em novembro de 2025, na primeira reunião do grupo reformulado, a promotora chamou a atenção para a epidemia de esporotricose animal, doença de notificação obrigatória em Santa Catarina. Em julho deste ano, foi ela quem apresentou o projeto MP Guardião da Vida Animal, no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Florianópolis.

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O que é o GEDDA

Criado em 2011, conforme o MPSC, o GEDDA é um grupo de atuação especializada vinculado ao Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME). O funcionamento é regulado pelo Ato n. 578/2026/PGJ. Além dos promotores, o grupo reúne como parceiros a Polícia Militar Ambiental, o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SC), o Instituto do Meio Ambiente (IMA), o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e o Instituto Ambiental Ecosul.

Em julho de 2026, a procuradora-geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, reestruturou o grupo. Desde então, o GEDDA também pode atuar diretamente nos casos, junto com o promotor responsável ou por designação da Procuradoria-Geral. Segundo o MPSC, em três meses dessa atuação o grupo já conduz pelo menos 29 procedimentos extrajudiciais, sobre temas como maus-tratos, animais resgatados e silvestres, animais comunitários e uso de recursos públicos.

“A atuação executiva representa um importante avanço para a defesa dos direitos dos animais em Santa Catarina”, afirmou Simone em material divulgado pelo Ministério Público nesta semana.

Mais de mil ações por maus-tratos

De acordo com o MPSC, o órgão ajuizou 1.052 ações por maus-tratos a animais entre 2023 e 2025: 319 em 2023, 349 em 2024 e 384 em 2025. A maior parte dos casos envolve cães, gatos e cavalos.

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Foi a partir de um levantamento do GEDDA com dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública que nasceu o MP Guardião da Vida Animal, lançado em 20 de julho. O projeto começou por dez cidades com os maiores índices de maus-tratos por 100 mil habitantes entre 2023 e 2025: Palhoça, Jaguaruna, São José, Campos Novos, Garopaba, Florianópolis, Belmonte, Biguaçu, Lauro Müller e Mondaí. Palhoça lidera, com média de 244,78 registros por 100 mil habitantes.

“Estes índices retratam a inexistência ou uma fragilidade de políticas públicas de proteção animal”, afirmou a promotora no lançamento. Entre as medidas previstas estão fiscalização de casos de maus-tratos e abandono, castração gratuita com os municípios, capacitação de servidores e programas de identificação de cães e gatos.

Fontes: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), GEDDA, MPSC, atuação executiva do GEDDA, MPSC, projeto MP Guardião da Vida Animal e MPSC, Projeto Elo.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/geral/promotora-mpsc-se-despede-do-cao-bento

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