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Fachin manda PF entregar todas as menções a ministros achadas nos celulares de Vorcaro, sem exceção

Conforme nota conjunta do STF e da PF, as menções devem chegar com o contexto e em caráter estritamente descritivo, e a abertura de investigação depende do plenário, após parecer da PGR

Fachin manda PF entregar todas as menções a ministros achadas nos celulares de Vorcaro, sem exceção
Foto: Reprodução
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta terça-feira (13) que a Polícia Federal entregue à Corte todas as menções a ministros encontradas nos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sem exceção. A decisão saiu de uma reunião de uma hora e meia com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em Brasília.

Fachin também fixou que nenhuma investigação contra ministro do Supremo pode começar sem autorização do plenário da Corte, que só vai deliberar depois de ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR).

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As regras estão em nota conjunta divulgada no fim da tarde pela Secretaria de Comunicação do STF e pela Coordenação-Geral de Comunicação Social da PF. Segundo o texto, Fachin ressaltou que a polícia “tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo”.

O encontro foi pedido pela própria PF. Conforme a nota, Andrei tratou do ofício 3467748, que Fachin enviou à corporação em 2 de outubro, e pediu orientação sobre o formato em que o material deve ser apresentado. A resposta se apoia no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que obriga a polícia a remeter a investigação ao tribunal competente quando surge indício de crime cometido por um juiz.

O material vem dos celulares de Vorcaro e do cunhado dele, Fabiano Zettel. Segundo apuração publicada no blog do jornalista Elijonas Maia, da CNN Brasil, nesta segunda-feira (12), há referências, em contextos diferentes, a pelo menos seis dos dez ministros do STF ou a parentes deles, além de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A lista oficial de nomes não foi divulgada.

Ser citado em uma conversa não significa, por si só, ter cometido irregularidade. Os ministros mencionados negam envolvimento indevido com o ex-banqueiro.

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Desde que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirou o sigilo de parte da investigação, em 1º de setembro, já apareceram os nomes de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e do próprio Mendonça.

O trecho mais detalhado envolve Moraes. O relatório da PF descreve como Vorcaro escrevia textos no aplicativo de notas do iPhone, tirava um print da tela e, segundos depois, mandava a imagem pelo WhatsApp para um número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Em um dos casos, foram 32 segundos entre o print e o envio, conforme reportagem da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil.

Em 17 de novembro de 2025, dia em que foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando tentava deixar o país, Vorcaro mandou cinco imagens desse tipo ao contato, segundo o registro do WhatsApp anexado ao relatório, publicado na íntegra pelo Poder360. Numa delas, escreveu: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”. Em outra, perguntou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. O contato mandou quatro imagens de volta no mesmo dia, mas a PF não conseguiu recuperar o conteúdo delas.

O mesmo relatório, segundo o Congresso em Foco, aponta que o número chegou a Vorcaro no fim de 2023, repassado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, e aparecia salvo também como “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Em março de 2025, o ex-banqueiro escreveu a um diretor do Banco Central que estava “com Moraes aqui”. A PF não conclui que o ministro tenha cometido crime ou agido em favor de Vorcaro.

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Moraes nega ter recebido as mensagens. Em março, nota do STF divulgada a pedido do gabinete dele afirmou que os prints estavam ligados a outros contatos do celular de Vorcaro, “jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”. Na defesa enviada ao Supremo em setembro, Moraes falou em “diálogos fantasiosos” e afirmou que 47 das 52 notas nem foram localizadas na conversa do WhatsApp.

Toffoli foi o primeiro a ter o nome ligado ao caso. Em fevereiro, a PF entregou a Fachin um relatório de cerca de 200 páginas com o registro de mais de dez encontros entre o ministro e Vorcaro e mensagens sobre pagamentos. Depois disso, Toffoli deixou a relatoria dos processos do Banco Master, e Mendonça assumiu o caso por sorteio. Em nota, Toffoli afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

A cobrança por uma regra única cresceu nas últimas semanas. Em 2 de outubro, Fachin respondeu à PF, por ofício, que daria os encaminhamentos devidos ao receber informações sobre os fatos “sem exceção de pessoa”. O ministro Gilmar Mendes também pediu, em ofício, a identificação de todos os citados.

A reunião desta terça veio depois de um setembro de crise entre a PF e o Supremo. Mendonça chegou a afastar Andrei Rodrigues do comando da corporação, e Fachin suspendeu a decisão em 9 de setembro, mantendo o diretor-geral no cargo.

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Agora, a PF deve separar e enviar ao STF cada menção com o contexto em que aparece, sem análise. Com o material em mãos, a PGR dá parecer e o plenário decide se abre ou não investigação contra algum ministro.

Fachin também aguarda a manifestação da PGR na Petição 16704, que trata de um relatório de inteligência da PF sobre a condução do caso por Mendonça. A PGR também precisa se manifestar sobre os pedidos de soltura de Fabiano Zettel, do primo Felipe Vorcaro e do pai, Henrique Vorcaro.

Na mesma reunião, segundo a nota, Fachin e Andrei trataram de ameaças contra ministros do Supremo. O presidente do STF ainda pediu pressa à PF para concluir o inquérito das fake news (INQ 4781), aberto em 2019.

Fonte: íntegras dos documentos publicadas pelo Poder360.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/justica/fachin-pf-mencoes-ministros-vorcaro-sem-excecao

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