O Tribunal do Júri de Anchieta, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, condenou três homens por um ataque a tiros que matou um inocente dentro de casa em 13 de maio de 2024. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime foi planejado pelo pai de uma jovem assassinada em 2018, que contratou um pistoleiro para matar o homem condenado pela morte da filha. Quem morreu foi o padrasto desse homem, que não tinha relação com o crime de 2018.
A sentença saiu na quarta-feira (7), depois de mais de 32 horas de julgamento na Câmara de Vereadores da cidade. O pistoleiro, apontado como autor do tiro que matou o padrasto, foi condenado a 37 anos, 5 meses e 2 dias de prisão. O pai da jovem, considerado o mentor do ataque, recebeu 27 anos, 10 meses e 20 dias. Os dois saíram do júri presos, em regime fechado.
O irmão da jovem não estava na casa no dia do ataque. Ele foi condenado a 4 anos e 8 meses, em regime semiaberto, por instigar o crime e ajudar a esconder o pistoleiro, e tem cinco dias para se apresentar. Somadas, as penas chegam a 69 anos, 11 meses e 22 dias. Ainda cabe recurso.
Como foi o ataque
O alvo cumpria pena por feminicídio e tinha saído da prisão dias antes, na saída temporária do Dia das Mães, para ficar na casa da mãe e do padrasto. Conforme a acusação, dois homens encapuzados invadiram a residência atirando: o pai da jovem, com uma espingarda, e o pistoleiro, com uma pistola.

O padrasto jantava no sofá, com o prato no colo, de costas para a porta. Ele levou um único tiro na nuca, disparado de perto, e morreu no local. O enteado foi baleado nas costas, lutou com um dos invasores e sobreviveu. A mãe dele, que estava na cozinha, também foi considerada vítima de tentativa de homicídio.
No plenário, a viúva contou como foram os últimos momentos do marido. “Eu me desesperei, pedi por socorro para salvar o meu marido. Eu chamava: ‘amor, amor’. Ele me olhou e se foi”, disse, segundo o MPSC.
O crime de 2018
A jovem tinha 22 anos quando foi morta a facadas pelo ex-companheiro, em março de 2018, em uma rua do Centro de Xanxerê, no Oeste do estado. Ele foi preso no dia seguinte, confessou e foi condenado em 2019 por homicídio qualificado, com a qualificadora do feminicídio.
Os jurados reconheceram que o pai e o irmão agiram por relevante valor moral, movidos pela morte da jovem, o que reduziu a pena dos dois. Para o promotor de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos, isso não justifica o que aconteceu. “Foi um terror disfarçado de vingança”, afirmou. “Foi uma ação planejada, premeditada, não foi um crime impulsivo.”
Durante o julgamento, o promotor também se dirigiu à família da jovem: “O Ministério Público não está aqui para diminuir a dor de quem perdeu a sua filha e irmã assassinada em 2018.”
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