Dois filhotes de quero-quero presos no fundo de um bueiro foram salvos pelo biólogo Christian Raboch Lempek em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. Ele gravou o resgate e publicou o vídeo na quarta-feira (30) no perfil @biologo.christian, com uma frase escrita sobre as imagens: “Se for difícil encontrar pessoas boas, seja uma”.
A gravação começa com a câmera apontada para a grade de uma boca de lobo, ao lado de um gramado. Entre as barras de ferro, lá no fundo, aparecem os dois filhotes, encolhidos sobre a lama e as pedras, perto de uma poça d’água. A penugem rajada, que serve de camuflagem no campo, quase faz os dois sumirem no meio da sujeira. O vídeo não mostra como eles foram parar ali.
A poucos metros, no gramado, um quero-quero adulto acompanha tudo. A ave caminha na direção do biólogo, de frente para a câmera. A espécie é conhecida por defender a cria com gritos e voos rasantes sobre quem chega perto, mas nas imagens ela só observa.
Com luvas e a ajuda de um gancho de metal passado entre as barras, Christian alcança os filhotes e tira um de cada vez, sem remover a grade do bueiro.

O primeiro é colocado no gramado. “Ó, vai lá. Vai”, diz o biólogo, enquanto o filhote sai andando na direção da ave adulta, que espera mais à frente. O segundo sai do bueiro logo depois e é solto a poucos passos dela.
A cena seguinte é a mais delicada do vídeo. O quero-quero adulto para sobre a grama e um dos filhotes se enfia debaixo do corpo dele, entre as penas da barriga, até quase desaparecer. Christian surge em seguida, sorrindo para a câmera. Nas últimas imagens, a ave e os dois filhotes caminham pelo gramado, perto de um muro.
Biólogo da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), Christian ficou conhecido por mostrar na internet a rotina de resgate de animais silvestres em Jaraguá do Sul: jararaca escondida em cozinha, gambá preso em portão, filhote que ficou sem os pais. Ele soma mais de 4 mil resgates na carreira e o perfil dele reúne mais de 2 milhões de seguidores.
Não é a primeira vez que um recado dele viaja junto com o resgate. Em maio, ao cuidar de um filhote de macaco encontrado desnutrido por um agricultor, ele disse: “Acha que matar é difícil, né? Tente curar alguma coisa. Isso é duro. Isso requer paciência”. E completou: “É por isso que temos que ser cuidadosos nesse planeta. E gentis”.
O quero-quero (Vanellus chilensis) é uma das aves mais comuns de Santa Catarina. Vive em gramados, pastos, campos de futebol e canteiros, e faz o ninho no chão. Os filhotes saem andando atrás dos pais logo depois de nascer, bem antes de saber voar, e nessa fase um bueiro no caminho vira armadilha. Macho e fêmea são parecidos, e os dois cuidam da ninhada.
Quem encontrar um filhote de ave silvestre no chão não deve levar o animal para casa: na maioria das vezes, os pais estão por perto. Se ele estiver preso ou ferido, a orientação é acionar a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou o órgão ambiental do município.
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