O mar avançou até a segunda rua a partir da beira-mar em balneários de Jaguaruna, no Litoral Sul de Santa Catarina, na manhã desta segunda-feira (21). Muros de casas na orla foram danificados, residências próximas à faixa de areia foram atingidas e as ruas ficaram cobertas de areia, sujeira e detritos. Não há registro de feridos.
O coordenador da Defesa Civil de Jaguaruna, Adriano Isaías, percorreu o Balneário Campo Bom nas primeiras horas do dia e gravou um vídeo mostrando o estrago. “Em alguns pontos do mar, ele chegou até na segunda rua, na beira-mar”, relatou.
Segundo ele, a água subiu entre 5h e 5h30, enquanto um vento forte atingia a região. Antes do avanço, o mar recuou bastante, o que o coordenador associa ao fenômeno. “O mar recuou bastante. Provável que com esse recuo teve esse tsunami meteorológico”, disse.
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Imagens gravadas por um morador e compartilhadas nas redes sociais mostram a água entrando rápido pela rua e alcançando imóveis da orla. Em poucos minutos, trechos inteiros do balneário ficaram alagados.
Quando a Defesa Civil chegou para registrar os danos, o nível do mar já tinha voltado ao normal. As equipes seguem percorrendo os balneários do município para levantar os estragos e repassar as demandas às secretarias responsáveis pela limpeza e pelos reparos. A chuva prevista para esta segunda-feira deve atrasar o trabalho.
Defesa Civil de SC confirma o fenômeno
Em nota divulgada nesta segunda, a Defesa Civil de Santa Catarina confirmou que os alagamentos costeiros em Jaguaruna, Imbituba e Laguna foram provocados por um tsunami meteorológico. De acordo com o órgão estadual, houve uma elevação súbita do nível do mar por volta das 6h, que deixou vias danificadas, com acúmulo de areia e água, danos em edificações e barcos arrastados.
A confirmação veio da análise de radares, satélites e marégrafos. Uma linha de instabilidade passou pelo Litoral Sul com rajadas de vento sul entre 60 e 90 km/h. Os marégrafos de Imbituba e Laguna e câmeras de segurança na orla registraram a subida rápida da água no mesmo momento.
Em Laguna, câmeras de um restaurante flagraram a Praia do Cardoso desaparecer debaixo do mar em pouco mais de 20 segundos, e moradores filmaram barcos de pescadores sendo arrastados no Farol de Santa Marta.
O que é o tsunami meteorológico
Apesar do nome, o fenômeno não tem relação com terremotos. Ele acontece quando mudanças bruscas na pressão atmosférica e ventos intensos atuam sobre o mar, provocando uma elevação rápida e temporária do nível da água, que avança sobre a faixa costeira.
A Defesa Civil estadual classifica o episódio como raro e de difícil previsão, com poucos registros no litoral catarinense. Mesmo com mar agitado previsto para os próximos dias, o órgão não espera um novo tsunami meteorológico: a chegada de uma massa de ar frio e seco deve trazer estabilidade, cenário que não favorece novas linhas de instabilidade sobre o mar.
Temporal, frio e ressaca na sequência
Antes da estabilidade, o risco de tempo severo continua alto nesta segunda-feira. À tarde, novas tempestades podem trazer vendaval e granizo à maior parte do estado, e o INMET emitiu alerta de grande perigo para todas as regiões de SC. As chuvas seguem até a madrugada e a manhã de terça-feira.
A partir daí, o tempo firma e esfria. Quarta-feira deve amanhecer gelada, com mínimas entre 8 °C e 13 °C do Litoral Sul à Grande Florianópolis. De terça a quinta, o vento sul deixa o mar agitado, com ondas entre 2 e 3 metros, risco que afeta navegação, pesca e banhistas. Em Jaguaruna, a Defesa Civil atende pelo 199 em caso de emergência.
















