O eleitor que não votou no primeiro turno, ou que votou branco e nulo, é quem segura hoje o empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. A explicação é de Felipe Nunes, CEO da Quaest, ao apresentar a nova pesquisa de segundo turno no programa Radar, da GloboNews, nesta quarta-feira (21).
Segundo a Quaest, Flávio tem 45% das intenções de voto e Lula, 44%. Na semana passada, o placar era de 46% a 44%. A margem de erro é de dois pontos, e os dois seguem tecnicamente empatados. Outros 9% dizem votar branco, nulo ou não votar, e 2% estão indecisos.
Para explicar o empate, Nunes mostrou no telão o que a Quaest chama de matriz de transferência de voto. Ela cruza o voto que cada entrevistado diz ter dado no primeiro turno com o voto que ele pretende dar agora.
Flávio mantém 94% de quem votou nele no primeiro turno, e Lula, 95%. Entre os eleitores que escolheram outros candidatos, como Caiado, Zema e Renan, 43% dizem que agora votam em Flávio, 37% em Lula e 19% em nenhum dos dois.
A diferença aparece na última linha do gráfico. Entre os entrevistados que dizem não ter votado no primeiro turno, ou que votaram branco e nulo, 40% declaram voto em Lula e 36% em Flávio. Outros 21% seguem sem escolher nenhum dos dois. “Isso é o que a gente chama na ciência política de alienação eleitoral”, disse Nunes.
“O eleitor branco, nulo ou que não foi votar, ele é que tá produzindo essa elevação de intenção de voto que produz hoje esse empate técnico quase numérico”, afirmou o CEO da Quaest. Para ele, Lula precisa reduzir a alienação eleitoral para seguir competitivo.

Nunes lembrou que esses eleitores já ficaram fora da urna no primeiro turno. “A vantagem do Flávio pro Lula pode ser maior do que a gente tá vendo nesse momento”, disse, caso esse grupo continue sem votar.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que parte desse eleitorado dá sinais de mudança. “Existem eleitores que votaram branco e nulo ou que não foram votar que tão dizendo: ‘Agora eu vou'”, afirmou. Nunes citou a eleição de 2014, quando a queda da alienação ajudou Dilma Rousseff a virar a disputa contra Aécio Neves na última semana.
Ainda segundo Nunes, no programa da GloboNews, a pesquisa também mostrou a aprovação do governo Lula em 46%, contra 47% de desaprovação. Entre os beneficiários do Bolsa Família, que são 21% da amostra, a vantagem de Lula subiu de 60% a 31% para 62% a 27%. Foi o único recorte em que a Quaest encontrou sinal de mudança. No voto espontâneo, os indecisos dobraram em uma semana, de 7% para 14%.
A resposta sobre o peso desse eleitor deve vir na pesquisa da véspera, no sábado. É quando a Quaest calcula o chamado eleitor provável, o “likely voter”, que desconta quem tende a não ir à urna. Segundo Nunes, se a abstenção ficar no patamar histórico de 20%, é muito difícil que Lula vire a eleição, e a vantagem de Flávio tende a aumentar no domingo. “Quanto mais a abstenção e a alienação caem, maior a chance do Lula avançar pra cima do Flávio.”
Fonte: programa Radar, da GloboNews.
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