O youtuber Felca, de 27 anos, publicou à meia-noite desta terça-feira (20) um vídeo de 1 hora e 3 minutos em que conta o bullying que sofreu na escola e revela o diagnóstico de fobia social. O vídeo não fala de eleição. Em poucos minutos, ele passou a ser atacado nas redes por perfis de esquerda que esperavam uma denúncia contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula (PT) no segundo turno de domingo (25).
“Eu tenho fobia social. Esse é meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz”, diz Felca na abertura. Ele conta que cinco meninos maiores e mais fortes o espancaram no banheiro do colégio: “Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem”. Também relata que bebia para conseguir ir a programas e palestras e que, quando gravou o vídeo, estava havia cerca de cinco meses sem sair de casa, segundo a Itatiaia e a CNN Brasil.
O vídeo foi anunciado na tarde de segunda-feira (19), depois de sete meses longe das redes, com a frase “Eu me escondi por tempo demais”. Nas horas seguintes, circulou o boato de que ele soltaria um documentário sobre ligações de um candidato com o crime organizado. Um perfil que se apresenta como de apoio ao presidente Lula escreveu que Felca ia “acabar com a eleição de alguém”. Outro avisou, 45 minutos antes da estreia: “se o felca vier com videozinho de assunto aleatório a gente derruba a conta dele”.
Quando o vídeo saiu, a reação veio em minutos. Felipe Neto, que declarou voto em Lula em 2022, publicou no X às 0h14: “Vai tomar no cu né. Só isso mesmo. Uma altura dessa. Num fode.” O influenciador Luscas, que tem 6,8 milhões de seguidores na rede, escreveu três minutos depois da estreia: “caralho o felca fez um vídeo sobre fobia social kkkk enfia no cu meu filho com todo respeito”.









Outros perfis trataram o vídeo como distração da campanha. “Parabens felca vc tem fobia social e eu fobia da ditadura”, escreveu um usuário. Uma conta com “Lula 13 PT” no nome reclamou que ele vinha “com mais gatilhos” no segundo turno. Houve quem chamasse Felca de narcisista e de oportunista, quem dissesse que ele “sofreu bullying merecidamente” e quem pedisse a morte dele. Uma conta chamada “filha do Lula” puxou o mutirão para derrubar os perfis do youtuber: “vamos começar pelo insta ou pelo YouTube, mo?”. Perfis de direita também zombaram dele, alguns com ofensas homofóbicas.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comemorou nas redes: “Galera, o que deve ter de petista puto”. Em vídeo, disse que “a esquerda realmente trata as pessoas de forma descartável” e que queria usar Felca “pra fins políticos”, como registrou o Metrópoles.
Em agosto de 2025, o mesmo Felca foi aplaudido pela esquerda com o vídeo “Adultização”, contra a exploração de crianças nas redes. A denúncia passou de 32 milhões de visualizações em poucos dias e rendeu a ele mais de 10 milhões de seguidores. Guilherme Boulos divulgou o vídeo e Felipe Neto disse que todos precisavam assistir, segundo o Brasil Paralelo. O governo Lula usou a comoção para defender a regulação das redes, conforme o Poder360, e o presidente sancionou o ECA Digital em setembro daquele ano. No vídeo novo, Felca conta que, depois da repercussão, sofreu ameaças de morte e se fechou em casa por meses.
Felipe Neto já falou da própria depressão. Em janeiro de 2022, escreveu nas redes que fazia acompanhamento psiquiátrico e deixou um recado aos seguidores: “busque ajuda. Não enfrente sozinho”, conforme o Diário do Nordeste. Num vídeo antigo sobre depressão, disse que “quanto mais você se fechar, quanto mais você ficar pra dentro, pior você vai ficar”.
Desde janeiro de 2024, o cyberbullying é crime no Brasil, com pena de 2 a 4 anos de reclusão, pela Lei 14.811/2024, sancionada por Lula. Induzir ou instigar alguém ao suicídio também é crime, e a pena pode dobrar quando a conduta é feita pela internet ou por rede social, pelo artigo 122 do Código Penal.
No vídeo, Felca propôs aos seguidores o desafio SimFel: durante três meses, aceitar convites e situações que costumam evitar e publicar nos stories. Ele também anunciou palestras gratuitas sobre bullying em escolas, segundo o ND+.
Se você precisa de apoio emocional, ligue 188. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende 24 horas, de graça, também pelo chat no site cvv.org.br.
Fontes: CNN Brasil, Itatiaia, Metrópoles, Poder360, Brasil Paralelo, Diário do Nordeste e ND+.
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