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Lula diz que Flávio quer “vender mais armas” e ativista pró-armas rebate: “A gente já ia votar nele”

Bene Barbosa, um dos autores de "Mentiram para Mim sobre o Desarmamento", ironizou o ataque do presidente e ainda lembrou a "meta dobrada" de Dilma

Lula diz que Flávio quer "vender mais armas" e ativista pró-armas rebate: "A gente já ia votar nele"
Foto: Reprodução
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O presidente Lula (PT) gravou um vídeo de celular para atacar Flávio Bolsonaro (PL) com o velho discurso do desarmamento e levou uma resposta que virou piada nas redes. “Agora o Flávio quer voltar pra vender mais armas”, disse Lula na peça, que traz o selo de propaganda eleitoral da coligação dele. O ativista Bene Barbosa, um dos maiores nomes da defesa da legítima defesa no Brasil, devolveu: “Ô presidente, obrigado pela informação, mas ó, não precisava. A gente já ia votar nele mesmo”.

No vídeo, Lula repete a conta que virou munição da campanha petista no segundo turno: “No governo Bolsonaro, eles venderam mais de um milhão de armas e mais de um bilhão de balas”. Não é a primeira vez. Em 19 de setembro, num ato em Florianópolis, o presidente já tinha usado o mesmo argumento, segundo o site do próprio PT.

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Bene gravou a resposta com as armas penduradas na parede ao fundo e ainda provocou com a frase mais lembrada de Dilma Rousseff, a vice de Lula que depois virou presidente: “Eu não vou colocar uma meta, mas quando a gente alcançar a meta, a gente duplica”. Dilma disse que “quando a gente atingir uma meta, a gente dobra a meta” em julho de 2015, no lançamento de um programa do Pronatec. Na legenda do vídeo, Bene escreveu: “Não precisa me dar mais motivos!!”.

Benedito Gomes Barbosa Junior, paulistano que mora em Florianópolis e bacharel em Direito, fundou em 2004 o Movimento Viva Brasil, que defende o direito do cidadão de ter e portar arma para se proteger. Liderou a campanha do “não” no referendo de 2005, quando a maioria dos brasileiros rejeitou proibir o comércio de armas e munições. É também um dos autores, ao lado de Flavio Quintela, do best-seller “Mentiram para Mim sobre o Desarmamento”, de 2015, que desmonta os argumentos usados para tirar a arma do cidadão de bem.

Os números que Lula usa como ameaça têm base nos registros oficiais, mas contam só metade da história. Entre 2019 e 2022 foram registradas 1,35 milhão de armas novas no país, segundo levantamento dos institutos Sou da Paz e Igarapé com dados da Polícia Federal e do Exército. Já o “bilhão de balas” só fecha somando o mercado inteiro: pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, foram cerca de 1,27 bilhão de cartuchos vendidos de 2019 a 2022, mas a conta inclui o que compraram órgãos públicos, empresas de segurança privada e policiais. Nas lojas, entre atiradores, caçadores e clubes de tiro, o total fica perto de 904 milhões.

No poder, Lula fechou o cerco sobre quem compra arma dentro da lei. Logo no 1º de janeiro de 2023, um decreto suspendeu novos registros e obrigou o recadastramento das armas compradas desde 2019. Em julho do mesmo ano, o Decreto 11.615 limitou a defesa pessoal a duas armas, passou a exigir prova de “efetiva necessidade” a cada compra e pôs teto de 50 munições por arma por ano. As compras de armas por colecionadores, atiradores e caçadores despencaram de 448.319 em 2022 para 39.914 em 2024, queda de 91%, segundo dados levantados pelo Instituto Sou da Paz.

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Flávio já deixou claro de que lado está. Perguntado pela Folha de S.Paulo nesta semana se a política de armas do pai voltaria, respondeu: “Legítima defesa tem que voltar, né? Só quem tá armado é bandido”.

Nos comentários do vídeo, seguidores também lembraram que Lula costuma dizer que não usa celular. Em maio de 2025, em Itajaí, na retomada das operações do porto, o presidente afirmou: “Não tenho celular porque se tivesse, eu vou morrer sem poder comer”. Em janeiro deste ano, em Rio Grande (RS), repetiu que não tem aparelho e que só usa o dos assessores para assuntos de serviço.

A campanha de Lula aposta no tema das armas desde o começo do segundo turno. Na sexta-feira (9), o presidente também publicou vídeo dizendo ter ficado “perplexo” com uma criança segurando armas em cima de um carro numa comemoração de apoiadores de Flávio em Parnamirim (RN). O Conselho Tutelar e um dos organizadores do ato afirmaram que eram armas de brinquedo.

Lula e Flávio disputam o segundo turno em 25 de outubro. No primeiro, Flávio terminou na frente, com 47,04% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, feita de 6 a 8 de outubro com 2.520 eleitores, mostra Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02949/2026.

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Fontes: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Metrópoles.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/lula-flavio-vender-mais-armas-bene-barbosa-rebate

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