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Eleições 2026

Moraes suspende visitas a Bolsonaro por 30 dias e proíbe “manifesto eleitoral” até o fim das eleições

Conforme a decisão do ministro Alexandre de Moraes, a divulgação da "Carta aos Brasileiros" lida por Flávio Bolsonaro violou a proibição de uso de meios de comunicação externos. A prisão domiciliar humanitária foi mantida.

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Moraes suspende visitas a Bolsonaro por 30 dias e proíbe “manifesto eleitoral” até o fim das eleições
Foto: Reprodução
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A carta começou com um apelo de pai e terminou com uma decisão judicial. Na noite desta sexta-feira (17), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) descumpriu as medidas cautelares impostas a ele ao entregar ao filho Flávio Bolsonaro (PL) o texto que o senador leu em transmissão ao vivo nas redes sociais no último sábado (11). O resultado: 30 dias sem visitas, exceto de advogados, médicos e fisioterapeutas.

Moraes decidiu manter a prisão domiciliar humanitária. Para o ministro, a infração existiu, mas não foi grave o suficiente para determinar o retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado. O que mudou foi o cerco em torno de quem entra na casa e do que sai dela.

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No centro da decisão está a chamada “Carta aos Brasileiros”. Segundo Moraes, a divulgação do texto configurou violação da proibição de utilização de meios de comunicação externos, direta ou indiretamente. O ministro rejeitou frontalmente a tese apresentada pela defesa, que sustentou que o ex-presidente não sabia que o documento seria publicado.

Os fatos são claros e objetivos, afastando a alegação da Defesa de que ‘o Peticionário jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim’, pois, caso contrário, não teria se dirigido a um grupo indeterminado de pessoas (‘aos Brasileiros’), indicando seu ‘pré-candidato e porta-voz’ e enviado ‘um afetuoso abraço a todos’

Alexandre de Moraes, ministro do STF

O argumento de Moraes se apoia no próprio endereçamento do documento. Uma carta destinada “aos Brasileiros”, que aponta um pré-candidato e um porta-voz e se despede com um abraço coletivo, não teria como ser um texto privado entre pai e filho.

O que muda agora

A decisão suspende o direito de visitas a Bolsonaro por 30 dias, com exceção de advogados, médicos e fisioterapeutas. Mantém a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro por 90 dias, prazo já determinado anteriormente. Proíbe visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das Eleições de 2026. Proíbe a divulgação de manifestos político-eleitorais pelo ex-presidente, inclusive por intermédio de terceiros. E mantém todas as demais restrições da prisão domiciliar humanitária.

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O ponto mais duradouro é o terceiro. A proibição de visitas com finalidade político-eleitoral não se esgota em 30 ou 90 dias: vale até o encerramento do calendário eleitoral de 2026, o que na prática isola Bolsonaro da articulação presencial da campanha durante todo o ciclo.

A posição da PGR

Horas antes da decisão, a Procuradoria-Geral da República já havia reconhecido a violação das restrições impostas pelo STF, mas defendeu a manutenção da prisão domiciliar humanitária com reforço das condições impostas ao ex-presidente. Foi exatamente o desenho que Moraes acabou adotando.

O procurador-geral Paulo Gonet sustentou que a carta entregue por Bolsonaro a Flávio tinha “inequívoco intuito” de alcançar e influenciar o eleitorado. Para a PGR, o documento teria sido produzido para ser divulgado publicamente e manifesta apoio explícito à pré-candidatura presidencial do senador.

A carta, de autoria não contestada, teve o inequívoco intuito de alcançar e influenciar o público interessado no processo eleitoral deste ano

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Paulo Gonet, procurador-geral da República

A defesa de Bolsonaro chegou a se manifestar ao Supremo declarando que o ex-presidente jamais soube que o documento seria divulgado nas redes sociais. Gonet, em contrapartida, considerou que as circunstâncias indicam que Bolsonaro entregou a carta com a intenção de que ela fosse divulgada. Moraes seguiu a leitura da PGR.

O que dizia a carta

No texto lido por Flávio em transmissão ao vivo no sábado, Bolsonaro afirma que o filho é a melhor opção para combater a corrupção, a violência e o empobrecimento no Brasil. O senador também é apontado no documento como “porta-voz” do ex-presidente.

O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento

Trecho da carta escrita por Jair Bolsonaro

Foi essa combinação, o apelo a um público indeterminado, a indicação de um pré-candidato e a designação de um porta-voz, que Moraes usou para desmontar a tese de que o texto era um documento privado que vazou.

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Bolsonaro segue em prisão domiciliar humanitária. As novas restrições passam a valer imediatamente, e a suspensão das visitas de Flávio, de 90 dias, corre em paralelo ao prazo de 30 dias aplicado agora às demais visitas.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/moraes-suspende-visitas-bolsonaro-30-dias-carta-flavio

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