Não é só a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que virou palco de mobilização pró-Lula. Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, também fizeram ato contra Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula (PT) no segundo turno. E por lá o tom subiu: um dos oradores pediu “sangue no olho” e citou o sequestro de um embaixador na ditadura como exemplo de rebeldia.
Em Santa Catarina, a mobilização pró-Lula tomou o campus e as ruas da capital nos últimos dias. Um vídeo publicado nesta quinta-feira (8) mostrou a distribuição de adesivos da campanha de Lula a dezenas de estudantes dentro da UFSC, em Florianópolis, depois de uma plenária convocada para quarta-feira (7) pelo coletivo Revide SC. Na noite de quarta, um ato convocado pelo PSOL lotou a Escadaria Valda Costa e tomou o Centro da cidade, com coro de “é estudante junto com trabalhador”.
O vídeo da UFPR, publicado nesta quinta-feira (8) pelo perfil Hoje Pelo Mundo no Instagram, mostra um auditório lotado, com integrantes do DCE da UFPR à frente e bandeiras do movimento estudantil. “Nós precisamos ter sangue no olho, porque é a rebeldia que fez com que a UNE sequestrasse um embaixador na ditadura”, diz um jovem ao microfone.
Antes, o mesmo orador disse sentir “um pouco de falta de revolta na nossa fala” e mandou recado para “a direita que tá aí fora”. Uma estudante defendeu que “nós precisamos radicalizar as nossas organizações”. Outras falas trataram de aposentadoria, do SUS e da previsão de que, com Flávio eleito, “nós vamos perder todos os direitos que a gente conquistou nesses últimos anos”. O vídeo termina com o coro de “Lula, Lula”.

O sequestro citado
A referência histórica tem um detalhe. O embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick foi sequestrado no Rio de Janeiro em 4 de setembro de 1969, ficou 72 horas num cativeiro no bairro do Rio Comprido e foi solto em troca de 15 presos políticos, banidos para o México, segundo o Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional. Quem fez a ação foram os grupos armados MR-8 e ALN, não a UNE.
Assembleias, ato e perfis derrubados
Em Curitiba, os DCEs da UFPR e da UTFPR convocaram assembleias gerais para a quarta-feira (7), com o objetivo de “organizar nossos próximos passos para nunca mais termos Bolsonaro na presidência”, segundo reportagem de Gustavo de Sousa no Brasil de Fato. As entidades marcaram para esta quinta-feira (8), às 18h, um ato na Praça Santos Andrade, em frente ao Prédio Histórico da UFPR, com o mote “Nem o pai, nem o filho”. Ainda segundo o Brasil de Fato, o Instagram derrubou os perfis dos DCEs da UFPR e da UTFPR na terça-feira (6).
Em SC, adesivos e caminhada
A plenária na UFSC foi marcada para o meio-dia de quarta-feira, no Varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). O vídeo dos adesivos foi publicado pelo professor Rafael Ary, em parceria com o movimento Direita UFSC. Cerca de um mês antes, a reitoria tinha mandado tirar bandeiras e faixas de campanha das áreas internas. Em Florianópolis, foram adesivos e caminhada. Em Curitiba, a lista de inspirações chegou ao sequestro de embaixador.
A onda de atos estudantis começou na segunda-feira (5), na UFF, em Niterói, e a UNE aprovou na terça-feira (6) a campanha “Estudantes com Lula pelo futuro do Brasil”. “A partir de agora é estado permanente de mobilização”, disse a presidente da entidade, Bianca Borges, segundo reportagem de Letícia Passos no Correio Braziliense. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE. O segundo turno é em 25 de outubro.
Fontes: reportagem de Gustavo de Sousa, no Brasil de Fato, reportagem de Letícia Passos, no Correio Braziliense e Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional.
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