Um chamado por briga de casal terminou com a prisão de um homem de 25 anos e a apreensão de 10 explosivos guardados dentro de uma casa no bairro São Sebastião, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Gabriel Trombim de Oliveira, natural de Criciúma, admitiu ter furtado o material de uma empresa onde trabalhou, segundo a PMSC.
A Polícia Militar foi até a Rua Lauro Merêncio depois da denúncia de que um homem gritava e ameaçava matar uma mulher dentro de uma casa identificada por uma bandeira do Flamengo. O endereço já aparecia em denúncias anônimas como possível ponto de venda de drogas, e o morador teria ligação com o PGC, segundo a polícia.
Quando os policiais chamaram à porta, Gabriel apareceu na janela. Ao ver a PM, começou a gritar e a correr pela casa. Pela janela aberta, os policiais viram sobre a mesa da cozinha uma porção do que parecia maconha e sentiram o cheiro da droga vindo de dentro.
Mandado várias vezes abrir a porta, ele sumiu para outro cômodo. Como ainda não se sabia se a mulher da denúncia estava ferida ou em risco, e diante do temor de que ele fosse atrás de uma arma, os policiais entraram.
Na cozinha estavam duas porções de maconha, uma com cerca de 56 gramas e outra com 21 gramas, além de 5 gramas de haxixe. No mesmo cômodo havia uma balança de precisão, rolos de plástico-filme, papel-manteiga e anotações. Gabriel afirmou que a droga era para consumo próprio.
Em um dos quartos estavam a companheira dele e a filha dela, menor de idade. Os dois negaram qualquer agressão ou ameaça, e os policiais não encontraram sinais de violência.
O material mais grave apareceu no quarto do casal: uma bolsa com 10 artefatos explosivos encartuchados, aparentemente à base de nitrato de amônio, e R$ 1.390 em dinheiro. Gabriel confirmou que eram explosivos e disse que os havia furtado da Exdrill, empresa em que trabalhou.
Na casa também teriam sido encontradas cartas. Questionado sobre elas, Gabriel se recusou a falar. A suspeita é de que os explosivos seriam usados pela facção, e a origem e o destino do material ainda serão investigados pela Polícia Civil.
O caso reacende a memória de uma das noites mais violentas da história de Criciúma. Em 1º de dezembro de 2020, cerca de 30 criminosos fortemente armados cercaram a cidade, fizeram reféns e usaram explosivos para arrombar a tesouraria do Banco do Brasil, levando cerca de R$ 125 milhões. O ataque, que ficou conhecido como novo cangaço, é considerado o maior roubo a banco da história de Santa Catarina, e 17 pessoas acabaram condenadas.
A casa foi esvaziada e isolada. O BOPE retirou os artefatos e os levou para Florianópolis. A Polícia Científica e a Polícia Civil também estiveram no local.
Gabriel foi preso em flagrante e levado à Polícia Civil, que vai definir o enquadramento pela posse dos explosivos, pelo furto e pela droga encontrada. Dinheiro, dois celulares, balança, embalagens e anotações foram apreendidos. A companheira foi ouvida como testemunha, e a procedência dos explosivos ainda será confirmada com a empresa.















