O cão Godofredo, golden retriever resgatado em janeiro em Brusque com um quadro grave de hipertermia, foi devolvido nesta sexta-feira (16) à antiga tutora, investigada por maus-tratos. A Delegacia de Polícia de Guabiruba cumpriu a decisão judicial na casa da família que cuidava do cachorro desde fevereiro.
Segundo a Polícia Civil, os familiares do atual possuidor do animal se recusaram a entregar o cachorro, mesmo sabendo da decisão. A equipe pediu à Justiça um mandado de busca e apreensão, que foi concedido. Com a ordem, os policiais voltaram ao endereço, entraram no imóvel e levaram o cão.
Ainda de acordo com a polícia, o responsável pelo imóvel xingou os policiais durante o cumprimento do mandado, mesmo depois de ser informado da ordem judicial. O caso foi registrado em boletim de ocorrência por possível desacato. Em nota, a Polícia Civil disse que a ação teve como objetivo garantir o cumprimento das decisões judiciais e a restituição do animal à antiga tutora.
Imagens das câmeras da casa mostram os policiais pulando o portão e, pouco depois, o cachorro sendo levado de dentro do imóvel.

“Pra pessoa que quase matou ele”
A protetora independente Bianca Machado, que participou do resgate em janeiro, gravou um vídeo logo depois da apreensão. “Entraram lá, arrombaram o portão, seguindo uma ordem de busca, e levaram o Godofredo pra pessoa que quase matou ele”, disse.
Bianca afirma que a tutora admitiu o crime num acordo com o Ministério Público e que há laudo veterinário e testemunhas sobre o estado do cão. “Eu faço há quase 15 anos e eu nunca devolvi um animal de maus-tratos”, disse a protetora, que comparou o caso ao do cão Orelha.
O resgate e a briga na Justiça
Godofredo foi resgatado em 16 de janeiro numa casa do bairro Dom Joaquim, em Brusque, depois de uma denúncia. O laudo veterinário descreveu o quadro como grave e potencialmente fatal, com temperatura de 40,5°C, taquicardia e respiração acelerada. O cão também tinha uma ferida infeccionada na região lombar, operada em março.
Em abril, como o JR mostrou, a tutora fez um acordo de não persecução penal com o Ministério Público de Santa Catarina no caso de maus-tratos e pagou a parte em dinheiro. No mesmo mês, a Vara Regional de Garantias de Itajaí mandou devolver o cão a ela, por entender que o animal não era produto nem instrumento do crime.
Três dias depois, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu a devolução com uma liminar num mandado de segurança da Associação Chat Mouillé, que bancou o tratamento. O mérito estava marcado para ser julgado pela 3ª Câmara Criminal em junho. Não foi informado qual decisão embasou a devolução desta sexta-feira.
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