A polícia procura o grupo que tentou matar um apoiador de Flávio Bolsonaro em Meia Praia, em Itapema, no fim da tarde de segunda-feira (12), feriado. O homem levou três facadas depois de uma discussão por política e está internado na UTI de um hospital em Itajaí. Os suspeitos ainda não foram presos.
De acordo com informações apuradas pelo Jornal Razão, a vítima passou por uma laparotomia, uma cirurgia de emergência no abdômen, ainda em Itapema. Depois, o homem foi transferido para Itajaí para avaliação da cirurgia torácica, por causa de um hemotórax maciço à esquerda, que é um grande acúmulo de sangue no tórax. Nesta terça-feira (13), ele seguia na UTI.
Imagens exclusivas obtidas pelo Jornal Razão mostram os suspeitos limpando o sangue depois do crime. A câmera de segurança registrou um homem, uma mulher e uma criança. No dia do ataque, a informação era de que um homem e duas mulheres tinham participado da agressão.
Uma testemunha fotografou o carro usado na fuga, um Volkswagen prata, e a placa do veículo. As fotos foram entregues à Polícia Militar. Câmeras de monitoramento registraram o carro seguindo em direção ao bairro Morretes, onde ele entrou em uma rua e não saiu mais. O veículo foi abandonado.





A motivação do ataque foi política, segundo uma testemunha ouvida com exclusividade pelo Jornal Razão. Ela pediu para não ser identificada, teve a voz alterada nos áudios e também prestou depoimento às autoridades. De acordo com o relato, a vítima estava na orla com uma caixinha de som e colocou para tocar uma música de apoio a Flávio Bolsonaro. “Aí o pessoal que tava lá na areia também começou a fazer o sinal do L, Lula e Lula e Lula”, contou.
Os dois lados trocaram ofensas e gestos, mas não houve agressão na areia. Cerca de meia hora depois, a vítima seguia para o apartamento da família, na Rua 230, quando encontrou o mesmo grupo, que entrava em um carro para ir embora. “Aí ali teve mais um desentendimento, daí que foi que partiu pras vias de fato. E o cara tava sozinho e o outro pessoal tava no grupo”, relatou a testemunha.
Segundo a testemunha, havia no local um homem mais velho e duas mulheres, e uma das mulheres estava em cima da vítima quando outras pessoas chegaram para separar a briga. “Tinha até criança na cena do crime”, disse. Ninguém percebeu na hora que o homem tinha sido esfaqueado. Ele chegou a ficar de pé, e o ferimento só foi notado quando o sangue começou a escorrer. Não ficou claro quem deu os golpes.
Foram três facadas no abdômen: uma perto do umbigo, mais profunda, e duas na região das costelas, mais superficiais. A vítima perdeu bastante sangue. De acordo com a testemunha, a camiseta térmica que o homem vestia ajudou a estancar parte do sangramento.
Na fuga, uma das mulheres do grupo disse, segundo a testemunha: “Agora nós acabamos com esse bolsonarista”. A esposa da vítima relatou frase parecida. Segundo ela, uma mulher de vestido azul, que dirigia o carro, disse: “Pronto, acabamos com esse bolsonarista”. A esposa afirma que os agressores deixaram claro que tinham posição política ligada ao PT e que não conhecia nenhum deles.
“Eu posso te garantir 100% que o motivo da briga e o estopim da briga foi a questão política”, afirmou a testemunha. Muitas pessoas que estavam na orla presenciaram a discussão e viram o homem ferido.
A vítima mora em Erechim, no Rio Grande do Sul, tem casa de praia em Itapema e passava o feriado na cidade com a família. Na segunda-feira, o homem avisou a esposa de que iria até o apartamento buscar o cachorro e, no caminho, encontrou o grupo.
A Polícia Militar registrou o caso como tentativa de homicídio e fez buscas pela cidade no dia do crime. A Polícia Civil investiga quem deu as facadas e quem participou da agressão.
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