Um evento realizado dentro de uma escola estadual de Timbó, no Vale do Itajaí, virou alvo de uma forte discussão após imagens mostrarem trabalhos de estudantes sobre feminismo, patriarcado, direitos das mulheres e referências à filósofa francesa Simone de Beauvoir.
Trata-se do chamado “Sarau de Gênero e Contemporaneidade”, projeto que já teve outras edições na unidade de ensino e voltou ao centro das atenções após ser questionado publicamente por Andrezza Milke, ex-candidata a vereadora de Timbó pelo PL.
Segundo Andrezza, antes da realização do evento ela procurou a Coordenadoria Regional de Educação para saber se a escola possuía autorização e qual seria a proposta da atividade. Conforme o relato dela, recebeu a informação de que a programação estava relacionada ao Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
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Andrezza afirma que, ainda antes do evento, sugeriu que o nome “Sarau de Gênero” fosse alterado por considerar que o termo “gênero” possui conotação ideológica. Ela também comunicou que acompanharia pessoalmente a apresentação dos trabalhos.
Durante a visita, Andrezza gravou parte da exposição. As imagens mostram um espaço dedicado ao “Feminismo”, cartazes produzidos pelos estudantes, símbolos associados ao movimento feminista e uma linha do tempo relacionada aos direitos das mulheres.
Outro painel reproduzia uma conhecida frase atribuída a Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. A filósofa e escritora francesa é uma das principais referências intelectuais do feminismo no século XX.
Foi justamente a presença desse tipo de conteúdo que motivou as críticas. Para Andrezza, a exposição teria ultrapassado a proposta de conscientização sobre violência contra a mulher e entrado em um campo ideológico.
“Mas eles disseram que não tinha militância no Sarau de Gênero. Pelo nome já se percebe”, declarou ela no vídeo.
Na sequência, Andrezza apresentou uma série de críticas ao movimento feminista, às ideias de Simone de Beauvoir e às discussões contemporâneas sobre gênero. Ela também relacionou suas objeções às próprias convicções religiosas e afirmou que, como cristã, não deveria permanecer em silêncio diante do que considera uma abordagem ideológica dentro do ambiente escolar.
A publicação provocou reação de pessoas ligadas à comunidade escolar e abriu uma discussão nas redes sociais.
Uma estudante que afirmou participar do sarau defendeu a iniciativa e disse que o evento aborda leis e direitos das mulheres. “Isso não é doutrinação. Isso é ensino”, escreveu.
Outra manifestação argumentou que o Estado é laico e recomendou a consulta aos documentos que orientam a educação brasileira, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Currículo Base do Território Catarinense (CBTC).
Andrezza também respondeu aos questionamentos e manteve as críticas. Em uma das discussões, afirmou que o debate estaria sendo desviado do assunto principal. Em outros comentários, recebeu apoio de pessoas que concordaram com seu posicionamento.
O episódio colocou novamente em discussão os limites da abordagem de temas sociais e políticos dentro de escolas públicas. Enquanto críticos questionam se determinadas referências e conceitos podem representar posicionamento ideológico, defensores sustentam que discussões sobre feminismo, violência e direitos das mulheres possuem finalidade pedagógica.
O Jornal Razão mantém espaço aberto para manifestação da escola, da Coordenadoria Regional de Educação e da Secretaria de Estado da Educação sobre os questionamentos relacionados ao conteúdo, à organização e aos critérios pedagógicos adotados no “Sarau de Gênero e Contemporaneidade”.














