Um jet ski da equipe de segurança aquática atravessou o pelotão de nadadores durante a natação do Ironman 70.3 Florianópolis, no domingo (18), em Jurerê Internacional, no Norte da Ilha. Imagens aéreas registraram a cena. A moto aquática entra pela direita em velocidade, com o piloto em pé e uma prancha de salvamento laranja presa na traseira. Ela cruza o grupo na diagonal e deixa uma faixa de espuma no meio dos atletas.
O vídeo foi publicado no Instagram por um taxista que compete como triatleta amador e estava na água naquele momento. Na legenda, ele escreveu: “Do nada um jetski na minha cara”. Depois completou que, no fim, deu tudo certo e que tinha sido um dia incrível. A gravação repercutiu nas redes no domingo e nesta segunda-feira (19).
Nas imagens, os nadadores seguem em fila compacta na direção de uma boia amarela. Ao fundo aparecem outras embarcações de apoio nas laterais do percurso. O jet ski passa por um corredor aberto entre os atletas, sem parar, e segue para o lado esquerdo do percurso. A prancha de salvamento estava vazia na passagem. Os nadadores que ficam na esteira continuam a prova, alguns pegando a marola de frente.
Atleta tinha desmaiado do outro lado do pelotão
Nos comentários, o próprio autor do vídeo explicou a pressa. “Foi um salvamento de um atleta que desmaiou”, escreveu. Em outra resposta, ele contou que estava ali no momento e que o piloto “foi fera”. Segundo o atleta, o piloto salvou uma pessoa que estava do outro lado do pelotão, aparentemente desacordada, e ninguém se machucou.

Um seguidor que acompanhava da praia descreveu o resgate, com correria na areia. Outro disse ter visto o atleta ser salvo no retorno do percurso, e uma nadadora contou que o jet ski quase a atropelou na última boia. A organização não se manifestou publicamente, e o estado de saúde do atleta socorrido não foi divulgado.
Por que o risco é menor do que parece
O jet ski da cena não é de passeio. A moto aquática é equipamento padrão do salvamento no mar, usada pelos guarda-vidas do Corpo de Bombeiros nas praias de Florianópolis e pelas equipes de segurança das provas em águas abertas. Ela não tem hélice exposta. A propulsão é por jato d’água: um rotor fica protegido dentro de um duto no casco e empurra a água para trás. Com isso, some o maior perigo de um barco comum perto de quem está nadando.
A prancha laranja na traseira, chamada de sled, serve para o atleta ser colocado deitado e levado até a areia ou até um barco. O piloto em pé enxerga por cima das toucas e escolhe a brecha entre os nadadores. É isso que o vídeo mostra: a moto aquática passa pelo corredor no meio do pelotão e, pelo que se vê nas imagens, não atinge ninguém. Com um atleta desacordado do outro lado do grupo, cada segundo conta, e o caminho mais curto até ele era por dentro do pelotão.
O problema maior é a marola. Quem nada de cabeça baixa quase não vê o que vem pela lateral, e a esteira joga água no rosto e quebra o ritmo. Foi o que parte dos internautas criticou. Um seguidor chamou a organização de irresponsável e defendeu que veículo motorizado passe atrás do pelotão. Outro propôs um jet ski de cada lado do percurso, para que nenhum precise atravessar o grupo. A maioria levou na brincadeira, com piadas como “salvou 1 e afogou 12” e “não sabia que o tempo de corte agora era literal”. O perfil da campeã da prova, Djenyfer Arnold, também reagiu: “Mentiraaaaaa! Que isso genteeee”.
Como funciona a segurança na natação
O percurso de Jurerê tem 1,9 km em formato de U. A largada é em frente ao Ammo Beach. Os atletas nadam 590 metros mar adentro, fazem um trecho longo paralelo à praia e saem da água em frente ao Clube 12 de Agosto. Caiaques, pranchas e colchões de apoio ficam ao longo do caminho. Segundo o resumo do guia do atleta publicado pela assessoria GPA, o atleta pode se segurar nesses apoios para descansar sem ser desclassificado, desde que não avance apoiado. Quem passa de 1h10 na água, contado da própria largada, sai da prova. Em provas de águas abertas, quem precisa de ajuda levanta um braço e acena.
Foi a primeira vez que o 70.3 de Florianópolis largou na baía de Jurerê, depois de seis edições na Praia dos Ingleses. A organização trocou de praia depois de dois anos de mar mexido: em 2024 a natação foi cancelada e, em 2025, encurtada. A baía de Jurerê é mais protegida do que o mar aberto dos Ingleses. A prova reuniu cerca de 1,8 mil atletas de 14 países. A elite largou às 5h45, e os amadores entraram na água entre 5h55 e 6h15, em pequenos grupos, no sistema de rolling start.
Pela primeira vez, a elite em Florianópolis foi só feminina. Djenyfer Arnold venceu de novo e ficou com o bicampeonato, com 4h03min56s. Vittoria Lopes chegou em segundo, com 4h08min18s, e a francesa Julie Iemmolo em terceiro, com 4h16min41s. As duas brasileiras saíram da água praticamente juntas, com cerca de 23 minutos de natação.
A piada com Pablo Marçal
Nos comentários, o nome de Pablo Marçal apareceu várias vezes, e “foi o resgate do Pablo Marçal” foi a piada mais curtida. A brincadeira vem de uma semana antes. No domingo (11), no Ironman 70.3 de Encarnación, no Paraguai, Marçal e a esposa saíram da água de jet ski durante a natação. Por causa da correnteza do Rio Paraná, o trecho de natação já tinha sido reduzido de 1,9 km para 1,5 km.
Segundo o colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, em coluna sobre a prova, mais de 30 pessoas ligadas ao empresário se inscreveram sem preparo adequado. Ainda segundo Vecchioli, 64 atletas estouraram o tempo da natação, 35 deles brasileiros. O organizador Rodrigo Recalde Larrea chamou o grupo de irresponsável. A assessoria de Marçal negou que ele tenha organizado a viagem e disse que os participantes foram por conta própria.
Em Florianópolis, a organização do Ironman não comentou a passagem do jet ski pelo pelotão nem o atendimento ao atleta.
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