Cães que sofreram maus-tratos e outros que foram usados em rinhas estão sendo treinados para ganhar uma família em Florianópolis. No CãoFiança, centro de treinamento canino da Capital, cerca de 30 cães que chegaram com dificuldade de comportamento passam por reabilitação para serem adotados. O trabalho é uma parceria da Prefeitura de Florianópolis, da Dibea (Diretoria de Bem-Estar Animal) e do Hospital Veterinário Municipal, que, assim como o abrigo municipal, fica a cargo da CHC Saúde.
“Na feira de adoção, quase todo mundo corre pro filhote. Aqui, o trabalho é com quem costuma ficar pra trás”, resume a reportagem do Jornal Razão, que acompanhou a ação no centro. Segundo a equipe, muitos dos animais são pit bulls e cães sem raça definida, que enfrentam preconceito na hora da adoção.
“Um animal reativo não é um animal sem possibilidade. Com treinamento, paciência, reabilitação e socialização, um cão pode ter uma nova chance de ter um lar”, afirma uma das responsáveis pelo projeto.
Do abrigo ao treino
Alexandre, que representa o Hospital Veterinário Municipal no projeto, explica o caminho de cada animal. O cão resgatado pelo abrigo que tem alguma doença ou distúrbio é tratado no hospital, recebe todo o tratamento preventivo e, quando está apto, é liberado para a adoção. “Muitos animais que tinham algum tipo de problema comportamental, através de treinamento e ressocialização, agora estão propensos a serem adotados”, diz.

Gustavo, do CãoFiança, conta que o treino é feito caso a caso. “É um trabalho que é feito artesanal, não é um trabalho em série, porque nós temos cães que sofreram maus-tratos, tivemos cães que foram em rinhas. Então cada cão é um indivíduo, cada indivíduo tem uma personalidade”, afirma. Além dos cães, a equipe também treina os novos donos. Segundo ele, quem adotar leva para casa um amigo com todo o respaldo, tanto na parte de saúde quanto na parte técnica.
O Limão
Um dos cães que já estão prontos para adoção é o Limão, um chow-chow que chegou muito reativo ao hospital. “Hoje ele não tá mais um limão azedo, já tá um limãozinho mais doce”, brincou a responsável pelo projeto durante a apresentação dos animais. Segundo ela, o Limão hoje é um cão dócil e amigável.
O treinamento dura até os animais completarem dois anos no programa. Alguns estão há três, quatro ou cinco meses e já podem ser adotados, mas continuam sendo acompanhados. Depois da adoção, os tutores voltam com o animal todo sábado para treinar junto com ele.
Castrações e atendimento no hospital
De acordo com Alexandre, o Hospital Veterinário Municipal fez mais de 2.400 castrações no último trimestre, uma média de 800 por mês. A castração, segundo ele, controla o aumento descontrolado da população de animais e estimula a posse responsável.
O hospital orienta que os atendimentos que não são de urgência sejam agendados pelo site da Prefeitura, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Casos de urgência e emergência são priorizados pela equipe médica, inclusive à noite. Animais com dor, alguma disfunção ou risco imediato de vida são atendidos na hora.
Como adotar
Quem quiser adotar um dos cães não precisa esperar a próxima feira de adoção. Basta procurar a Dibea pelo telefone (48) 93300-8202.
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