Derrotado na eleição para deputado estadual, o presidente da Câmara de Florianópolis, João Cobalchini (MDB), cancelou nesta segunda-feira (26) a eleição que vai escolher o próximo comando da Casa. A votação da Mesa Diretora para 2027 e 2028 estava marcada para as 10h desta terça (27), por convocação assinada pelo próprio Cobalchini. Agora, a eleição não tem data.
O cancelamento está no Ato da Presidência nº 157/2026, publicado às 9h59 no portal da Câmara. No texto, Cobalchini torna sem efeito a convocação que ele mesmo assinou em 20 de outubro. A justificativa é que aquele ato “não foi lido em Plenário nem publicado no Diário Oficial”. O documento diz ainda que a eleição precisa de “máxima regularidade formal” para evitar impugnações.
A convocação foi publicada no portal da Câmara na noite de 20 de outubro e entrou na pauta da sessão de eleição no dia seguinte. No Diário Oficial dos Municípios, a Câmara publicou outros atos da Presidência assinados por Cobalchini em 20 e 21 de outubro. A convocação da eleição não está entre eles.
Também não houve sessão em plenário para ler o ato. Na terça (20), a sessão ficou vazia e não aconteceu por falta de quórum. A de quarta (21) foi cancelada sob o argumento de que não haveria quórum. Pelo Regimento Interno, quem convoca, abre e encerra as sessões é o presidente da Câmara.
Cobalchini preside a Câmara desde 2023 e não é candidato. O nome dele para a sucessão é Claudinei Marques (Republicanos), pastor e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Social. Do outro lado está Dinho (União Brasil), vereador de Canasvieiras, no Norte da Ilha, que ganhou o apoio do prefeito Topázio Neto (Podemos).
Nos bastidores, os dois grupos diziam ter 13 dos 23 votos. Na semana passada, a base do prefeito já falava em maioria para Dinho. A informação era de que o secretário municipal de Cultura, Roberto Katumi (PSD), deixaria o cargo para voltar à Câmara e votar nele. Katumi perdeu a presidência da Casa para Cobalchini por um voto, em 2022.
A eleição virou uma queda de braço entre Cobalchini e Topázio. Em janeiro de 2025, com a base do prefeito, Cobalchini foi reeleito presidente com 21 dos 23 votos. Agora, os dois estão em lados opostos.
O racha vem depois de um outubro ruim para a família Cobalchini. Nas eleições de 4 de outubro, João teve cerca de 28,4 mil votos para a Assembleia Legislativa e ficou como primeiro suplente do MDB. O pai dele, o deputado federal Valdir Cobalchini (MDB), teve 99,7 mil votos e não se reelegeu. Já o grupo de Topázio elegeu Fábio Botelho (Podemos) para a Alesc.
Na prática, quem preside a Câmara comanda a pauta do plenário. Pelo Regimento Interno, a Mesa Diretora também elabora a proposta de orçamento da Casa e cuida dos cargos dos servidores.
Pelo Regimento, a eleição do segundo biênio pode acontecer até o fim do período ordinário, que a Lei Orgânica de Florianópolis fixa em 20 de dezembro. A nova convocação tem de sair com pelo menos sete dias de antecedência. Vence no primeiro turno quem tiver 12 votos, e o voto é secreto. Se houver empate no segundo turno, vence o candidato mais velho: Dinho tem 63 anos, e Claudinei, 50.
O ato do cancelamento deve ser lido na próxima sessão ordinária, marcada para quarta-feira (28), às 16h. Até a publicação desta reportagem, Cobalchini não tinha marcado a nova data.
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