A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) recebeu da Câmara dos Deputados o reembolso de duas notas de restaurante que incluíam três taças de espumante e uma cerveja artesanal, na viagem que fez a Nova York, nos Estados Unidos. As regras da Câmara proíbem pagar bebida alcoólica com a cota parlamentar. O caso foi revelado neste domingo (1º) pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles.
Uma das notas é do The Palm Bar & Grill, no Terminal 4 do Aeroporto Internacional JFK, e tem a data de 15 de março, com abertura às 16h e fechamento às 17h17. A conta lista três taças de espumante Gloria Ferrer, por US$ 57, e um tiramisu, por US$ 18,25. Com as taxas, o total ficou em US$ 84, e a Câmara pagou R$ 453,84 à deputada.

A outra nota é do Luke’s Lobster, no Grand Central Terminal, e traz um sanduíche de lagosta e uma cerveja artesanal. Nesse caso, o reembolso foi de R$ 216,18. As duas notas somam R$ 670,02.
A viagem foi em março deste ano, quando a deputada participou da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). A cota parlamentar é a verba indenizatória que a Câmara dá aos deputados para gastos do mandato, como escritório político, aluguel de veículos e passagens aéreas.
À coluna de Tácio Lorran, a assessoria de Carol Dartora atribuiu o pedido de reembolso a um “equívoco na conferência da documentação apresentada”. A equipe disse que os comprovantes estavam em inglês, o que dificultou identificar os itens consumidos, e que a bebida alcoólica não foi percebida antes do envio. O gabinete informou que vai tomar de imediato as providências para devolver todo o valor à Câmara. A coluna também procurou a Câmara, que não respondeu.
Neste domingo, Carol Dartora reagiu em um comentário, feito pelo perfil verificado dela, em uma publicação do portal XV Curitiba no Instagram. “Que hipocrisia nojenta! A indignação seletiva de vocês revolta. Três taças de espumante numa janta, uma cerveja tomada na estação de trem”, escreveu a deputada.

No mesmo comentário, Carol Dartora acusou os críticos de racismo. “Parece que, para uma mulher preta, até comer e beber precisa de fiscalização. Fiscalizar é legítimo; distorcer para alimentar perseguição racista é outra coisa”, afirmou. A deputada também cobrou a mesma indignação “com os milhões envolvidos nos escândalos da extrema direita”.
“83 dólares vai quebrar o país?”, perguntou Carol Dartora, que é a primeira mulher negra eleita deputada federal pelo Paraná. Ela terminou o comentário com a frase: “Vai ter preta na ONU sim, e onde quisermos e vamos comer, beber, dançar sempre que pudermos!”.
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