O esquerdista Eduardo Moreira, fundador do ICL, surtou depois que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, mandou a Meta suspender o canal “Exército do Lula”, criado e administrado pelo deputado federal André Janones no WhatsApp. Em vídeo publicado neste domingo (11), Moreira chamou a decisão de “roubo nas eleições”.
“Isso é literalmente um roubo, roubo nessas eleições”, disse. “Tão querendo ganhar na roubalheira. Ninguém pode deixar isso acontecer.” Na legenda do post, escreveu que “meteram a mão grande nas eleições”. Sem apresentar nenhuma prova, ele ainda ligou a decisão a insinuações pessoais contra o ministro e ao caso Master, e pediu que os seguidores compartilhassem o vídeo “loucamente”.
Moreira também disse que “não teve nenhuma mensagem nesse grupo de WhatsApp”. A decisão do TSE trata justamente das mensagens do canal: segundo a coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, e a Jovem Pan, a Meta teve 3 horas para impedir novas publicações e a entrada de novos seguidores, e o canal fica suspenso até a homologação do resultado do 2º turno, marcado para 25 de outubro.
De 55 mil a quase 3 milhões em quatro dias
O pedido partiu da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no sábado (10) e foi decidido em menos de 24 horas. Segundo o documento, o canal tinha cerca de 55 mil seguidores na manhã de 5 de outubro e chegou a 2.967.820 na tarde do dia 9. As mensagens somavam 3.582.366 encaminhamentos até o dia 7.
No pedido aceito pelo TSE, a campanha de Flávio mostrou Janones dizendo aos seguidores que “tudo que ele mandar falar de narrativa, vocês vão falar”, que com um milhão de pessoas “eu consigo controlar a narrativa no país inteiro” e que a regra é “comando único”, “só obedece” e “agir igual um robô”. O canal repetia afirmações que a Justiça Eleitoral já tinha mandado apagar, como a de que Flávio quer tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, narrativa que o TSE considerou sem “suporte fático mínimo”, como registraram o Conjur e o Migalhas.
A Meta também tem 48 horas para comprovar a suspensão, informar se Janones administra outros canais e entregar o relatório de todas as mensagens publicadas, inclusive as apagadas. A coordenação da campanha de Lula disse que “causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques” e que analisa medidas jurídicas. Janones chamou a decisão de censura e mandou os seguidores para outro canal.
Não é a primeira vez
Em outubro de 2022, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, mandou Janones apagar posts que ligavam Jair Bolsonaro a Roberto Jefferson. Para Moraes, as publicações “se descolam da realidade, por meio de inverdades e suposições”, como noticiaram a CNN Brasil e o Money Times, com informações da Reuters.
Na quinta-feira (8), o ministro André Mendonça mandou remover o vídeo das “três bombas” que Janones gravou com Lindbergh Farias contra Flávio, segundo a Agência Brasil. O próprio deputado já admitiu o método em entrevista ao Poder360, em 2023: “Eu manipulo a informação” e “Meus métodos são questionáveis? Sim. Eticamente duvidosos? Sim”.
Em 2025, o Conselho de Ética da Câmara suspendeu o mandato de Janones por três meses pelas ofensas a Nikolas Ferreira no plenário, segundo a Agência Câmara. Em 2023, a Justiça de Minas Gerais já o tinha condenado a pagar R$ 5 mil a Nikolas por insinuar que ele era pedófilo.
O ICL e a Justiça Eleitoral
O ICL, que funciona como linha auxiliar do petismo, também coleciona derrota na Justiça Eleitoral. Em setembro, o TRE de Minas Gerais mandou o site apagar publicações que diziam que Nikolas Ferreira chamou o banqueiro Daniel Vorcaro de “lindão” num áudio. Depois de ouvir a gravação, o juiz concluiu que o deputado dizia “Dani” e classificou o conteúdo como “sabidamente inverídico”, como noticiaram O Tempo e o Congresso em Foco.
Na sexta-feira (9), depois que a VEJA revelou o áudio de Vorcaro sobre Lula, o ICL publicou que PF e PGR avaliavam que o áudio teria sido “forjado na cadeia”. No mesmo dia, o advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, confirmou: “A voz realmente é dele em um dos áudios”, segundo o Poder360 e a CNN Brasil.
Moreira apoiou a eleição de Lula em 2022 e, em 2023, foi indicado pela gestão petista da Petrobras para o conselho da estatal, nome que acabou preterido.
Fontes: coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles e Poder360.
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