A lobista Roberta Luchsinger, que chamava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de “sócio” em mensagens reveladas pela imprensa, disse que vai fazer delação premiada e que não vai poupar nem o presidente Lula (PT). A declaração foi dada em entrevista exclusiva à CNN Brasil, exibida na noite deste sábado (17) no CNN Prime Time. A conversa foi gravada no apartamento dela, em São Paulo, com os jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco.
“Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém. Pode ser presidente da República, que a meu ver é um grande de um mau-caráter, é um grande de um mentiroso e eu repito, um grande de um covarde. Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade. E a verdade, ela tem que ser dita, doa a quem doer”, afirmou Roberta.
Antes, na mesma entrevista, ela já tinha falado da colaboração. “Inclusive, vou fazer uma delação premiada, porque não serei eu o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim”, disse. Depois, explicou o motivo: “Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, eu não tenho mãe presidente”. Segundo Roberta, ela vai colaborar “no momento que a Justiça julgar que é o momento adequado”.
O jornalista Iuri Pitta perguntou sobre os pagamentos ao ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou a chefia de gabinete, não foi para a campanha como estava previsto e alegou que se tratava de um empréstimo pessoal. O entrevistador citou o pagamento de boletos e presentes como joias, segundo as investigações.
Roberta respondeu que “grande parte disso já está dentro do inquérito” e que “existe uma decisão judicial que me proíbe de falar sobre elementos investigativos”. Ela disse que tem medidas cautelares e que, “se quebradas, eu vou presa”. Segundo a lobista, a Justiça já tem acesso a todos os seus sigilos, ao celular e ao WhatsApp. “A minha vida simplesmente hoje é um livro aberto”, afirmou.
“Sócia” de Lulinha
Nas mensagens de 2023 e 2024 reveladas pela imprensa, Roberta chamava Lulinha de “sócio”, mas não há registro de empresa dos dois. No depoimento à Polícia Federal, ela disse que a relação era de amizade. Na entrevista deste sábado, afirmou: “Eu não sou sócia do Lulinha”. Também disse que não tem “atuação profissional com Lulinha”.
Investigada pela PF
Roberta é investigada pela Polícia Federal no caso dos descontos irregulares em aposentadorias do INSS, pela relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e com Lulinha. A PF apura se R$ 1,5 milhão que ela recebeu do Careca do INSS chegou ao filho do presidente. Ela nega ter repassado dinheiro.
Lula já disse que não conhece Roberta e a chamou de “pilantra”. Na mesma entrevista, ela chamou o presidente de “grande mentiroso” e disse que Lulinha sentava “inúmeras vezes” com ministros.
A entrevista foi ao ar a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
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