Uma mãe tirou a gasolina do tanque, despejou o combustível sobre a moto que havia dado de presente ao filho de 21 anos e ateou fogo no veículo, em casa, em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina. A decisão veio no dia seguinte a uma discussão dentro da residência, provocada pela falta de leite e de fralda para o neto de cinco meses.
Em relato ao Jornal Razão, ela contou que a paciência acabou depois de meses cobrando responsabilidade do rapaz. “Acabou minha paciência, ontem quebrei o pau com ele aqui em casa por conta disso, porque não tem dinheiro para comprar fralda para criança, não tem dinheiro para comprar o leite da criança, que agora a criança tem que tomar leite, e é caro o leite da criança”, afirmou.
O desfecho da briga foi o fogo. “Acabou que eu me estressei, tirei a gasolina da moto, rebolei a gasolina tudo em cima da moto e taquei fogo”, disse a mãe, que é responsável ainda por outros três filhos, dois deles menores de idade. Ela afirma que agiu para evitar que algo pior acontecesse com o rapaz. “Pelo menos meu filho tá vivo”, disse.
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O presente de aniversário
A moto foi comprada em fevereiro deste ano, com muito sacrifício, como presente de aniversário de 21 anos do rapaz. Segundo a mãe, o veículo veio com um objetivo claro: garantir que ele trabalhasse, alugasse um apartamento e sustentasse a companheira e o filho que estava para nascer. “Nós, com muito sacrifício, compramos uma moto e presenteamos”, contou.
A família também tinha acolhido a companheira do rapaz dentro de casa. Ela engravidou aos 17 anos e completou 18 durante a gestação, que passou inteira na residência dos sogros. Segundo a mãe, o casal era sustentado por ela e pelo marido. Quando o bebê nasceu, os pais ajudaram a montar o apartamento alugado, comprando móveis usados pela internet.
O arranjo durou pouco. O rapaz trabalhou cerca de um mês como entregador, e a convivência do casal no apartamento também durou um mês. Depois de uma briga, ele voltou para a casa dos pais. Segundo a mãe, ele tem transtornos psicológicos e psiquiátricos e sempre foi um filho difícil.
Sete quedas e uma pilha de multas
Foi nesse período que a moto virou o centro do conflito. A mãe descreve um filho que passou a usar o veículo como brinquedo, e não como ferramenta de trabalho. “Sempre andando feito louco nessa moto, empinando roda, pegou um monte de multa na moto, porque anda feito doido na rua, não leva a sério a vida”, relatou. Segundo ela, de fevereiro para cá o rapaz caiu seis ou sete vezes, sempre voltando esfolado e com a moto quebrada.
Cada queda gerava um novo custo. Ele trabalhava alguns dias, precisava consertar a moto, acumulava mais multas e voltava a depender dos pais. As despesas do bebê, segundo a mãe, terminavam nas costas da família. “Ele não tem como bancar, daí vem para as costas da gente, porque ele está dentro da nossa casa”, afirmou.
No momento em que ateou fogo, ela disse ter feito uma cobrança direta ao filho. “Se você não quis aproveitar o que a gente te abençoou, o que a gente com muito sacrifício te deu para que tu pudesse trabalhar, para que tu pudesse ter responsabilidade, para que tu pudesse sustentar tua família, ter um conceito de família, o que é ser pai, o que é ter uma família, o que é ter uma mulher, você não soube valorizar, pois então pronto, agora você vai ficar sem moto e você vai se virar.” Em seguida, expulsou o rapaz de casa. Até o momento do relato, ela afirmou não saber onde ele está.
R$ 3.999 para dar baixa no que sobrou
O problema seguinte apareceu quando ela começou a procurar o Detran em Itajaí e em Joinville para dar baixa no veículo. Ela imaginava um procedimento simples: entregar o que sobrou da moto e encerrar o registro. Um despachante informou que, antes de entregar o chassi no pátio, é preciso quitar os débitos, que somam R$ 3.999. “Somente quando eu pagar que eles podem fazer o recolhimento dos restos mortais da moto que sobrou aqui”, afirmou.
O saldo, no fim, é uma moto carbonizada no quintal, uma dívida quase igual ao valor de um veículo usado e um filho fora de casa. Ainda assim, a mãe diz que faria de novo. “Não resolvi nada, só piorei mais a situação, mas não me arrependo, taquei fogo, ele precisa de uma lição, não quer ter responsabilidade, não quer aproveitar as oportunidades que os pais, que a família, que a mãe prover para ele, então que sofra, que quebre a cara, que se vire, que eu sinceramente lavei minhas mãos.”














