Em entrevista ao Jornal Razão, Weegens Charles fala da esperança, da fé e da dor de perder Samuel, de 10 anos. A família está abrigada na casa de uma pastora que mobiliza doações para garantir uma casa e um terreno.
Pela primeira vez, desde que o filho foi levado pelo mar em Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense, Weegens Charles falou sobre os quatro dias que passou na beira da praia à espera de Samuel, de 10 anos. Em entrevista ao Jornal Razão, na casa da pastora Ana Cristina, onde a família está abrigada, ele contou que, ao chegar à areia naquele domingo (20), já sentia que tinha perdido o menino, mas não deixou de ter esperança.
“Quando eu cheguei lá na beira da praia, eu senti que estava dentro de mim aquela esperança, mas, do outro lado, eu senti que já tinha perdido meu filho. A esperança durou, durou, durou, até que chegou o corpo do meu filho”, disse.
Samuel entrou no mar em frente ao Posto 7 de guarda-vidas, no bairro Itacolomi, e foi levado por uma onda. O corpo foi encontrado no início da noite de quarta-feira (23), poucas horas depois de moradores formarem uma corrente de oração na praia. Durante as buscas, a imagem do pai sentado nas pedras e caminhando pela orla, com os olhos voltados para o mar, comoveu a cidade.
Weegens diz que, no auge da dor, chegou a questionar Deus. “Eu sei que eu não deveria perguntar pra Deus por quê, mas sabe aquela natureza humana? Eu cheguei a perguntar: mas, Pai, por quê? Quando eu percebi que não tinha mais jeito, eu voltei atrás pedindo perdão a Deus”, contou.
Ele está no Brasil desde 12 de março de 2013. A esposa é brasileira, de Balneário Piçarras. O pai conta que o cuidado com o filho era tanto que Samuel só começou a andar sozinho pela própria rua, por menos de 100 metros, depois dos 10 anos. “De tanto medo que eu tinha de perder meu filho”, disse.
Desde a tragédia, Weegens afirma que não consegue olhar para as fotos do menino. “É uma dor inexplicável. Eu não desejo nem para o meu pior inimigo”, afirmou. Ele deixou um recado para outras famílias: “Nós que somos pais, quando achamos que estamos cuidando dos nossos filhos 100%, não estamos. Todo cuidado com os nossos filhos é pouco”.
O pai também cobrou leis mais rígidas para proteger crianças na beira da praia. Segundo ele, havia bombeiros no local no momento em que Samuel brincava perto da água, mas as regras atuais não permitiriam que os profissionais retirassem as crianças à força. “Se o bombeiro tivesse o direito de tirar meu filho dali, meu filho poderia estar comigo hoje”, disse.
Desde os dias de buscas, a família está sendo acolhida pela pastora Ana Cristina. “Desde o momento em que eu vi o Charles naquela situação, eu não consegui mais sair de perto deles”, contou. Ela cedeu o próprio quarto à família, enquanto os filhos dela passaram a dormir no sofá. “Meus filhos não estão sentindo a dor que eles estão sentindo agora. Eu preciso dar para eles o acalento”, afirmou.
A pastora conta que já viveu em situação de rua e criou três filhas sozinha, e que, desde então, se dedica a acolher pessoas em vulnerabilidade. Ela também comentou as críticas de que estaria se promovendo com a tragédia. “Não é porque fui eu. É porque o Espírito Santo de Deus colocou no meu coração”, disse.
Ana Cristina está à frente de uma mobilização para garantir uma casa e um terreno para a família. Ela destaca que a ajuda não vem só de empresários,
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