Uma equipe do helicóptero do Saer resgatou uma família inteira de uma casa inundada em Timbé do Sul, no Extremo Sul de Santa Catarina, na tarde desta segunda-feira (21). Cerca de sete pessoas da mesma família foram retiradas pelo ar, entre elas uma criança, uma idosa e um casal.
A família tinha pedido ajuda poucos minutos antes, quando a água começou a entrar na casa. Imagens do resgate mostram a correnteza barrenta cercando a casa de madeira, com uma moradora na janela, enquanto o helicóptero pousa em um terreno tomado pela água e depois sobrevoa a área. Com o acesso por terra comprometido pela cheia, a retirada foi feita pelo ar, sob chuva forte.
Timbé do Sul enfrenta alagamentos desde a manhã. Vídeos gravados por moradores mostram o rio correndo cheio e com força, enquanto a água invade quintais e cobre ruas e terrenos ao pé da serra. As aulas foram suspensas no município, que esteve no alerta de tempestade severa da Defesa Civil de Santa Catarina, com risco muito alto e possibilidade de enxurradas.
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14 cidades com ocorrências
Segundo o boletim divulgado pela Defesa Civil às 15h, 14 municípios das regionais de Criciúma, Tubarão e Araranguá já registram ocorrências provocadas pela chuva. Os principais impactos são alagamentos, chuva intensa, ventos fortes, granizo e danos na rede elétrica.
A situação mais grave é em Criciúma. O Rio Criciúma extravasou, atingiu uma escola e alagou ruas da cidade, com 15 vias interditadas. O número de desabrigados e desalojados está crescendo no bairro Paraíso, onde os bombeiros usaram botes para resgatar famílias ilhadas, incluindo uma criança que saiu de casa com filhotes de cachorro no colo.
A prefeitura decretou situação de emergência e, em um segundo decreto, suspendeu por 24 horas todos os eventos públicos e privados com aglomeração, até as 15h30 de terça-feira (22), para reduzir o trânsito e facilitar o trabalho das equipes de socorro. O Centro Multiuso e o Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI), no Parque das Nações, bairro Próspera, foram definidos como pontos de acolhimento para desabrigados e desalojados. A Defesa Civil de Criciúma atende pelo 199 ou pelo WhatsApp (48) 99162-9006.
Em Içara, casas foram atingidas pelo acúmulo de água e as aulas da rede municipal foram suspensas nesta tarde. Urussanga e Nova Veneza registraram granizo de baixa intensidade, sem danos significativos até o momento. Em Morro Grande, os ventos fortes e a chuva intensa danificaram três casas. Santa Rosa do Sul tem árvores caídas sobre a rede elétrica, com equipes da Celesc trabalhando no conserto, e parte de Sombrio está sem energia.
No litoral, os efeitos do tsunami meteorológico do início da manhã também entraram no balanço. Em Jaguaruna, o alagamento costeiro atingiu os bairros Copa 70, Campo Bom e Arroio Corrente, com três casas afetadas. Laguna teve alagamento na Praia do Cardoso, e Imbituba, na Praia do Vila, onde a Defesa Civil municipal faz vistorias. Além de Timbé do Sul e Içara, as aulas foram canceladas ou suspensas em Morro Grande, Meleiro, Santa Rosa do Sul, Araranguá e Passo de Torres.
A memória de 1995
A chuva forte mexe com a memória de Timbé do Sul. Em 23 de dezembro de 1995, cerca de dois mil milímetros de chuva caíram em poucas horas sobre a região, e a água chegou a atingir entre 8 e 12 metros de altura, segundo estudos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A enxurrada matou 16 pessoas, e dois corpos nunca foram encontrados. Em março de 2023, o nível dos rios da cidade subiu mais de cinco metros, dez pontes foram danificadas e vários moradores ficaram ilhados.
O Inmet mantém aviso de grande perigo para tempestade em todo o estado até as 23h59. Segundo a Defesa Civil, as tempestades devem seguir até a madrugada e a manhã de terça-feira (22). Depois, uma massa de ar frio e seco entra no estado e firma o tempo, com mínimas perto de 0 °C nos pontos mais altos na quarta-feira (23).
A orientação é não atravessar ruas, pontes ou pontilhões cobertos pela água e ficar longe das margens de rios e córregos. Quem perceber a água subindo perto de casa deve pedir ajuda cedo, sem esperar a situação piorar. Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.















