Uma frente fria com características estacionárias mantém Santa Catarina debaixo de temporal nesta segunda-feira (31). Segundo o monitoramento da Defesa Civil de Santa Catarina divulgado às 11h, a chuva atingiu todas as regiões do estado ao longo da manhã, com registro de granizo no Litoral e no Planalto Norte.
Os maiores acumulados nas últimas seis horas ficaram em torno de 40 milímetros no Planalto Norte, no Grande Oeste e no Vale do Itajaí. As temperaturas oscilam entre 14 ºC e 20 ºC em todo o território catarinense.
No momento da divulgação do boletim, as tempestades se concentravam entre o Planalto Norte, o Litoral Norte e o Vale do Itajaí. Nessas áreas, o órgão classifica o risco como moderado a alto para destelhamentos, danos na rede elétrica, queda de galhos e árvores e alagamentos. Nas demais regiões, a chuva segue persistente e de moderada intensidade.
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Risco alto nas próximas horas
O cenário deve piorar nas próximas horas. A Defesa Civil aponta condições para novos temporais com raios, queda de granizo e rajadas de vento, especialmente nas áreas de divisa com o Paraná, entre o Grande Oeste, o Litoral e o Planalto Norte, e em parte do Vale do Itajaí. Nesse recorte, o risco passa a ser alto para os mesmos tipos de ocorrência.
O boletim ainda alerta que a chuva ganha força e passa a cair de forma persistente e intensa em todas as regiões, o que aumenta o risco de alagamentos e enxurradas. O documento é assinado pelas meteorologistas Francine Sacco e Jéssica Silva.
A imagem que embasa a análise é do satélite GOES-19, no canal infravermelho realçado, captada às 10h30 no horário local.
Por que a frente fria estacionária agrava o risco
A frente fria estacionária é a chave para entender por que o temporal não passa rápido. Diferente de uma frente que atravessa o estado e segue viagem, a estacionária fica praticamente parada sobre a mesma faixa de território, alimentando a formação de novas nuvens de chuva sobre as regiões já encharcadas. É esse travamento que transforma chuva forte em risco de enxurrada: o solo satura, a água não infiltra e o volume vai direto para ruas, córregos e bueiros.
Em áreas urbanas, o efeito aparece primeiro em bocas de lobo entupidas e em ruas de fundo de vale. Em áreas rurais e de encosta, o risco se desloca para deslizamentos e para a queda de árvores sobre a rede elétrica, que costuma provocar falta de energia por horas.
Fim de semana já havia sido severo no Oeste
A instabilidade desta segunda vem na sequência do fim de semana severo no Oeste catarinense. No domingo (30), tempestades formadas sobre a província de Misiones, no norte da Argentina, avançaram sobre o Extremo Oeste e o Oeste de Santa Catarina, deixaram granizo severo em Princesa, Guaraciaba, São José do Cedro e Iraceminha e produziram, em Campo Erê, um fenômeno que a Defesa Civil aponta como tornado.
O radar meteorológico de Chapecó registrou sinal de rotação dentro da tempestade que passou ao sul da área urbana de Campo Erê entre 19h12 e 19h18, e a formação em solo foi fotografada e filmada por volta das 19h26. A confirmação depende da vistoria de danos no local. No município, 27 famílias da comunidade Linha 12 de Novembro foram atingidas pela queda de granizo, e as equipes distribuíram mais de 160 metros de lona para cobrir telhados destruídos.
Quem interceptou o tornado em Campo Erê
As imagens que correram Santa Catarina são de um time de caça às tempestades que interceptou o fenômeno na região rural ao sul de Campo Erê. O registro é do fotógrafo @gabriel_zaparolli, conhecido como caçador de tornados, que estava em campo ao lado de @raffasantannaa, @maycon.zanata, @dudu.tempo, @gregoryfenile e @daniellxd_.
Segundo o grupo, o tornado apareceu acompanhado de uma nuvem parede massiva, a chamada wall cloud, estrutura que se forma na base das supercélulas e antecede a formação do funil. É exatamente o tipo de assinatura visual que a Defesa Civil vai cruzar com os dados de radar na avaliação técnica.
Depois de Campo Erê, a equipe seguiu estrada afora rumo às regiões de Guarapuava e Ponta Grossa, no Paraná, onde o cenário pode favorecer mais uma rodada de tempo severo. As previsões acompanhadas pelo grupo são as do @prevots_svr.
O que fazer durante o temporal
Para quem está nas áreas de risco, a orientação padrão da Defesa Civil vale para as próximas horas: evitar deslocamentos durante o pico da tempestade, não se abrigar embaixo de árvores, desligar aparelhos elétricos durante as descargas atmosféricas, não atravessar ruas alagadas a pé ou de carro e não subir em telhados danificados enquanto a chuva continuar.
A Defesa Civil recomenda acompanhar as atualizações das previsões e dos avisos meteorológicos ao longo do dia. Ocorrências podem ser comunicadas pelo 193, do Corpo de Bombeiros, e pelo 199, da Defesa Civil.














