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Eleições 2026

Prefeitos de SC entram em pânico após derrota de deputados “melancias” nas eleições

PL foi o partido mais votado em 212 das 295 cidades catarinenses. Quem pediu voto com Bolsonaro e votou com Lula ficou sem mandato, e agora a corrida é para fugir do rótulo

Prefeitos de SC entram em pânico após derrota de deputados 'melancias' nas eleições
Foto: Reprodução
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Em Santa Catarina, “melancia” virou rótulo político: verde e amarelo por fora, vermelho por dentro. As eleições de 2026 ainda não acabaram, falta o segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, no dia 25. Mas o resultado de domingo (4) já deixou muito prefeito e muito vereador de cabelo em pé.

A leitura é nítida. O catarinense de direita declarou caça às bruxas e promete não reeleger quem disputou eleição abraçado em Bolsonaro e, depois de eleito, votou com o governo Lula.

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Na campanha, a deputada federal Júlia Zanatta apareceu em um evento do PL com meia melancia nas mãos, ao lado de Carol De Toni, então candidata ao Senado. No vídeo gravado pelo Jornal Razão, o aviso vem em tom de brincadeira: “Vamo lá entregar pras melancias”. Alguém pergunta se ainda tem algum melancia perdido por ali. A resposta: “Tá cheio”.

Muita gente achou exagero, coisa de rede social, briga interna de partido. Júlia não recuou. Chegou a fazer transmissão ao vivo para apontar quem, na avaliação dela, usa a camisa da direita sem seguir a direita. No domingo, fez 560.223 votos, a maior votação da história de Santa Catarina para a Câmara dos Deputados. Carol De Toni foi a mais votada para o Senado em 289 das 295 cidades do estado.

A conta chegou na urna

Em contrapartida, o eleitor cobrou a conta. O caso mais didático é o de Jorge Goetten. Em 2022, ele foi o terceiro deputado federal mais votado do estado, com 159.339 votos pelo PL, na onda de Bolsonaro. Em 2023, ainda no partido, votou a favor da urgência do arcabouço fiscal do governo Lula. Só seis dos 16 deputados catarinenses fizeram o mesmo. Em 2024, votou a favor da regulamentação da reforma tributária.

Virou alvo da ala bolsonarista, pediu ao TSE para sair do PL, foi autorizado e assumiu o comando do Republicanos no estado. No domingo, fez 43.449 votos e ficou em 29º lugar numa disputa de 16 vagas. São 115.890 votos a menos, quase três de cada quatro. Nenhum outro deputado catarinense que tentou a reeleição caiu tanto.

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Santa Catarina já conhecia esse filme. Em 2018, um coronel dos bombeiros que quase ninguém conhecia se elegeu governador com o número de Bolsonaro e o discurso de Bolsonaro. Carlos Moisés tomou posse e rompeu com quem o elegeu. Em 2022, tentou a reeleição e não chegou ao segundo turno. Agora tentou ser deputado federal pelo União Brasil: fez 33.712 votos e não levou a vaga.

A lista de “melancias” julgados na urna é grande, e a renovação foi além deles. Ao todo, dez deputados com mandato não voltam em 2027, quatro federais e seis estaduais. Cada um vai ter a sua explicação: a legenda, a conta do quociente, a região. O eleitor tem a dele, e é mais simples. Ele lembra de quem pediu o voto de um jeito e exerceu o mandato de outro.

Eu disse no estúdio, na noite da apuração, e repito: o catarinense não perdoa.

O mapa que tira o sono

Deputado derrotado é notícia de um dia. O que tira o sono de prefeito é o mapa, e o Jornal Razão fez a conta cidade por cidade, com os dados do TSE.

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Na eleição para deputado estadual, a que mais interessa a quem vive de base municipal, o PL foi o partido mais votado em 212 dos 295 municípios. No Vale do Itajaí, levou 42% dos votos. No Norte, 36,4%. No Oeste, 36,2%. Na Grande Florianópolis, 32%. No Sul, 31,2%. Na Serra, 28,8%. O partido elegeu 16 dos 40 deputados da Assembleia Legislativa e 7 dos 16 federais.

Do outro lado estava o bloco que se armou contra Jorginho Mello: PSD, MDB, União Brasil e PP, reunidos em torno de João Rodrigues, com prefeitos, estrutura e caciques no palanque. João terminou em terceiro, com 13,35%, e foi o mais votado em dez cidades, todas no Oeste, em volta da Chapecó que ele governou.

Na disputa pela Assembleia, a soma é ainda mais dura. O MDB foi o partido mais votado em 26 cidades, o PSD em 6, o União Brasil em 5 e o PP em 4. Os quatro partidos do bloco, juntos, lideraram em 41 municípios. O PL, sozinho, em 212.

Para presidente, Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 290 das 295 cidades, com 66,65% dos votos válidos no estado. Lula venceu em cinco municípios pequenos. Para governador, Jorginho Mello foi o mais votado em 285 e passou de 80% em 28 delas.

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É esse número que o prefeito está olhando. Na seção eleitoral ao lado da prefeitura, o eleitor dele votou em Flávio, em Jorginho, em Carol e na chapa de deputados do PL. Quem subiu no outro palanque descobriu que não transfere voto nem dentro da própria cidade.

A corrida para fugir do rótulo

Agora a corrida é para ficar longe da melancia. Quem já se dizia de direita trata de colar ainda mais nela. Quem passou a campanha em cima do muro, sem gravar vídeo, sem ir a carreata, tratando Flávio como assunto dos outros, tenta pular para o lado que ganhou e convencer o eleitor de que nunca foi melancia.

O que vem nas próximas semanas é previsível. Prefeito descobrindo que sempre foi de direita. Foto antiga com Bolsonaro saindo da gaveta. Fila para aparecer ao lado de Flávio no segundo turno. Filiação de última hora, discurso novo, camisa amarela.

O prazo tem data: outubro de 2028. Quem está no primeiro mandato vai pedir a reeleição a esse mesmo eleitor. Quem está no segundo vai pedir que ele vote em um sucessor. Nos dois casos, vai encontrar pela frente um partido que acabou de ser o mais votado em 212 cidades, com governador reeleito e nome para lançar em cada município.

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Pode funcionar com o partido. Partido aceita adesão, sempre aceitou. Com o eleitor é outra conversa. Em cidade pequena, todo mundo lembra de que lado cada um estava. Carlos Moisés levou oito anos para descobrir, Goetten levou quatro, e o eleitor já mostrou no domingo o que faz com melancia.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/opiniao/prefeitos-sc-panico-derrota-deputados-melancias-eleicoes

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