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Pedir desculpas a uma mãe que perdeu o filho não é confissão de culpa, é humanidade

Reconhecemos a cordialidade da Prefeitura de Camboriú durante a entrevista e não demonizamos o poder público. Mas respeitar não é silenciar: diante da morte de um bebê de 45 dias, pedir desculpas a uma mãe é um gesto de humanidade, não uma confissão de culpa.

Pedir desculpas a uma mãe que perdeu o filho não é confissão de culpa, é humanidade
Foto: Reprodução
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Antes de qualquer linha desta coluna, um registro de justiça: até o momento em que a entrevista foi encerrada, a Prefeitura de Camboriú tratou o Jornal Razão com educação. O responsável pela comunicação foi solícito, atencioso e cordial, dentro de um contexto que sabemos ser delicado. O secretário de Saúde interino recebeu nosso repórter e respondeu às perguntas durante cerca de vinte minutos. Isso precisa ser dito, porque é verdade. E este jornal só trabalha com o que é verdade.

Também precisa ser dito o que não fomos fazer lá. O Jornal Razão não foi à prefeitura caçar contradição, produzir constrangimento ou prejudicar quem quer que seja. Fomos ouvir. Um bebê de 45 dias morreu depois de um atendimento em um hospital que pertence ao Município, a própria Prefeitura divulgou nota afirmando que o prontuário aponta medicação em quantidade superior à prescrita, e a família, sem resposta, procurou a imprensa. Diante disso, o jornalismo tem uma única opção: perguntar.

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A íntegra da entrevista, com cerca de vinte minutos, está disponível sem cortes no canal do Jornal Razão no YouTube. Assista abaixo e tire suas próprias conclusões sobre o tom das perguntas e o teor das respostas.

ASSISTA À ÍNTEGRA

Capa do vídeo do YouTube

Que fique claro também o que esta coluna não está dizendo. Ninguém aqui acredita que a Prefeitura de Camboriú odeia crianças. Ninguém acredita que algum gestor acordou pensando em fazer mal a um bebê. Não demonizamos o poder público, e ele não deve ser demonizado por ninguém. Deve ser respeitado. Respeitamos o trabalho de quem administra, respeitamos a dificuldade de gerir saúde pública, respeitamos inclusive a angústia de quem precisa dar respostas em um momento como esse. Mas respeitar não é a mesma coisa que silenciar. O poder público que merece respeito é o mesmo que precisa ser cobrado. E o jornalismo existe exatamente para isso.

Pedir desculpas não é assumir culpa

O ponto central da entrevista foi uma pergunta simples: o senhor e o prefeito estão dispostos a pedir desculpas para a mãe que perdeu o filho? A resposta foi que o município não tem que pedir desculpa, tem que acolher. E é aqui que mora a diferença que esta coluna quer deixar registrada.

Pedir desculpas não é assumir culpa. Quando alguém esbarra em outra pessoa na rua, pede desculpa mesmo sem ter feito por mal. Pede porque é um gesto de gentileza, de solidariedade, de empatia. Quem está à frente de uma Secretaria de Saúde fala às pessoas como responsável pela saúde delas. Quando uma tristeza do tamanho da morte de uma criança acontece dentro de uma estrutura sob sua fiscalização, o mínimo que se espera não é uma confissão jurídica. É humanidade. É olhar para aquela mãe e dizer: perdão, talvez não tenhamos feito tudo o que podíamos. Nenhum tribunal condena alguém por isso. Mas a ausência disso condena algo maior.

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Acolher, aliás, é uma palavra fácil. Foi repetida muitas vezes na entrevista. Difícil é o que a palavra exige: colocar-se no lugar do outro, sustentar o olhar de quem sofre e ter a disposição de dizer o que aquela dor precisa ouvir. Não existe acolhimento sem empatia. Acolhimento que precisa ser anunciado em coletiva e não é sentido por quem deveria recebê-lo ainda não cumpriu sua função.

O que aconteceu depois da entrevista

Quando nosso repórter relatou à direção deste jornal que havia sido conduzido para fora da prefeitura, praticamente expulso, a primeira atitude do Jornal Razão não foi sair em defesa cega do colaborador. Foi o contrário. Este diretor comunicou imediatamente ao responsável pela comunicação da Prefeitura que estava disposto a demitir o repórter no mesmo instante, bastando que enviassem as imagens das câmeras de segurança e que elas mostrassem que ele havia mentido. As imagens comprovariam ou desmentiriam. O repórter não mentiu. O que ele relatou aconteceu. E isso é lamentável, sobretudo vindo de uma equipe que, até aquele momento, havia tratado este jornal com a cordialidade que fizemos questão de reconhecer no primeiro parágrafo.

Entenda o caso

O Jornal Razão seguirá cobrindo este caso com o mesmo método de sempre: ouvindo todos os lados, publicando as íntegras, reconhecendo o que há de correto e perguntando o que precisa ser perguntado. Não estamos aqui para fabricar vilões. Estamos aqui para que uma mãe, e uma cidade inteira, recebam a resposta que merecem. O Jornal Razão faz jornalismo.

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